PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Sílvio Barsetti 
Rio de Janeiro, 08 (AE) - A francesa Martine Halim, de 40 anos
foi sequestrada no Aeroporto Internacional Tom Jobim na noite de domingo e assassinada uma hora depois em Itaguaí, na Grande Rio, a 70 quilômetros da capital fluminense.
Ela estava em companhia do marido Ives, que conseguiu se esconder num matagal quando os criminosos atiraram. Na escuridão
ele perdeu-se da mulher, mas tinha esperanças de encontrá-la viva.
Hoje, ao amanhecer, Ives pediu ajuda a um caminhoneiro e foi levado para a 50ª Delegacia de Polícia, em Itaguaí, onde relatou a tragédia. Ives é engenheiro e participaria de um congresso sobre Segurança na Aviação Civil.
Tudo começou quando o casal, ao desembarcar no Rio de Janeiro, foi abordado por um homem, que falava francês fluentemente, e ofereceu a eles o serviço de um táxi. Os dois seguiriam para o Hotel Sofitel, em Copacabana, na zona sul da cidade. Mas acabaram vítimas de uma cilada. No carro, eles perceberam que foram enganados e acabaram rendidos pela dupla - o motorista e o homem que falava francês. Em vez de seguir para a zona sul, o carro foi em direção da zona oeste do Rio, passando pela Avenida Brasil, em Campo Grande e Santa Cruz, e a BR-101, a Rodovia Rio-Santos.
De acordo com o depoimento de Ives na delegacia, os dois assaltantes lhes roubaram jóias, documentos e dinheiro. Quando o carro parou, à beira de um riacho, o casal saltou e correu pelo acostamento de uma estrada próxima à Rio-Santos sob a mira das armas. Ives ouviu um tiro, mas não olhou para trás e continuou correndo. Ele então escondeu-se no mato e esperou o dia amanhecer para buscar ajuda. Com arranhões e muito nervoso, chegou à delegacia em estado de choque, com muita dificuldade para explicar o que havia acontecido.
Em seguida, a polícia foi ao local do crime e encontrou o corpo de Martine. A polícia do Rio, ainda hoje à noite, não tinha pistas dos autores do crime. O Secretário de Segurança Pública do Estado, coronel Josias Quintal, ficou chocado e determinou uma apuração rigorosa do caso. Ele afirmou que em breve uma delegacia será instalada no aeroporto para evitar, entre outras coisas, a ação de falsos taxistas.
À noite, o Subsecretário para Assuntos Especiais da Secretaria de Segurança, Carlos Alberto Pinto Nunes, disse que existem dúvidas sobre a veracidade da versão contada por Ives, e frisou que a Polícia do Rio vai pedir ajuda à Interpol e ao governo francês para apurar o crime.
Ives foi levado à tarde para o Instituto Médico Legal (IML), onde se submeteu a vários exames - um deles para a polícia verificar a possibilidade de ele ter resíduos de pólvora nas mãos. O casal tem dois filhos, que estão na França.


