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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Pauo, 08 (AE) - Edivaldo José de Araújo Lima, o Baianinho, foi preso. Acusado de dez homicídios, entre eles, o da médica Lucy Mayumi Udariki, de 39 anos, ele era um dos criminosos mais procurados da cidade. Para a polícia, Baianinho tem 18 anos. Ele contesta. "Tenho 17, sou menor e vou para a rua de novo, de cabeça erguida". Baianinho estava sendo procurado desde que fugiu em setembro da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem). Ele estava andando disfarçado.
Cabelos tingidos de loiro e sem barba, quase não foi reconhecido pelos policiais que o detiveram. "Tinha um monte de policial me procurando para me matar", afirmou. Desde a fuga, a polícia recebeu informações de que ele cometeu três homicídios. De acordo com o delegado Marco Antônio Novaes de Paula Santos, titular da delegacia Seccional de Itaquera, em dois casos existem provas contra o acusado. "Não matei ninguém, não depois que fugi", disse. Antes, admite ter matado. "Matei três". Ele só soube dizer quem era uma de suas vítimas. "Um nóia (gíria para um usuário de drogas). O motivo: "Ele me ofereceu drogas e eu não mexo com isso". Os outros dois mortos, afirmou ter esquecido quem eram.
Mas, para a polícia, a história é outra. Após escapar da Febem, Baianinho procurou Rosimeire Marques de Souza, de 16 anos. "Ele a matou porque desconfiava que ela o havia denunciado ao departamento de Homicídios, provocando sua detenção e internação na Febem", contou o delegado. A principal testemunha da polícia nesse caso é Flávio Adriano Toninato, de 18 anos, também acusado de participar do crime.
Toninato disse ao depor que estava com a vítima quando Baianinho chegou. Era 16 de setembro. Andaram juntos até que o acusado sacou um revólver e uma pistola e atirou em Rosimeire. Toninato feriu-se nesse dia, segundo ele, tentando impedir o crime, mas, de acordo com a polícia, por uma trapalhada na execução. "Quero ver ele falar isso na minha cara", disse Baianinho. Médica - Toninato foi preso no dia 4 de outubro. No mesmo dia, às 7 horas, três homens tentaram roubar Lucy, a médica pediatra, quando ela chegava ao trabalho num posto de saúde na Cohab José Bonifácio, zona leste. Um homem saiu da fila de pacientes e caminhou até o carro da médica, um Gol. Ela estava com a bolsa e a chave do veículo nas mãos. Armado, o criminoso tentou tomar-lhe as chaves e a bolsa, mas Lucy não as entregou. Irritado, o bandido atirou três vezes, duas balas atingiram a médica, que morreu. Os bandidos fugiram a pé.
"Três testemunhas reconheceram o Baianinho como o autor dos disparos", disse o delegado. "Não matei a médica", respondeu o acusado. A polícia encontrou-o na casa de um amigo, José Moraes da Cruz da Silva Neto, de 20 anos, cuja participação na morte da médica está sendo investigada. "Não cometi crime com o Baianinho", defendeu-se. Segundo o delegado, desde o assassinato da médica, Baianinho estava dormindo sempre em locais diferentes - chegou a trocar de casa três vezes em uma noite. Prisão - Ele foi preso quando preparava a mudança da casa onde estava. Eram 12 horas e o acusado não reagiu. Um dia antes, os investigadores da delegacia o haviam visto, mas ficaram em dúvida, por causa do disfarce, resolveram esperar e confirmar a identidade, o que ocorreu hoje. "Vou pedir a prisão temporária dele à Justiça; para a polícia, ele é maior", disse o delegado. Ele fundamentará seu pedido num laudo feito por dois médicos-legistas do Instituto de Médico-Legal (IML), em julho. De acordo com a perícia, baseada na análise da estrutura óssea de Baianinho, ele tem mais de 18 anos, desmentindo sua certidão de nascimento.
"É mentira; só estão fazendo isso porque eu sou pobre e não tenho dinheiro para pagar advogado", disse. Baianinho afirmou querer mudar de vida. Sua família, que veio de Pernambuco há cinco anos, é evangélica. Ele disse frequentar igrejas. "Um pastor me disse que alguém fez um trabalho forte comigo", contou. "Sou um cara normal". Sua mãe, Helena Maria de Araújo, de 45 anos, não entende o que fez o filho mudar. Antes, estudioso; agora, preso. Segundo a polícia, ele começou como segurança de ponto de drogas. Depois, veio o tráfico, os roubos e as mortes. "Eu rezo todo dia e peço a Deus que ele mude de vida", disse a mãe.


