São Paulo, 08 (AE) - O promotor de Justiça Norton Geraldo Rodrigues da Silva, do 1.º Tribunal do Júri, e o delegado Olavo Reino Francisco, titular da seccional sul de polícia, disseram hoje que a reconstituição dos assassinatos do cine 5 do MorumbiShopping que o o sextanista de medicina Mateus da Costa Meira praticou deverá ser realizada na sexta-feira. "A reconstituição é fundamental para eliminarmos uma série de dúvidas e para restabelecer a dinâmica dos fatos", afirmou o promotor.
Silva espera que a polícia conclua o inquérito até sexta-feira. Na segunda-feira, ele poderá apresentar a denúncia, pois está com o flagrante desde a semana passada. Ao saber que o advogado de Meira, Eduardo Pizarro Carnelós, teria afirmado que seu cliente detalhou à polícia todos os seus atos e por isso a reconstituição "é descartável", o promotor afirmou: "Os fatos divulgados pela imprensa até agora não têm valor legal e por isso é preciso juntar provas técnicas à confissão do acusado e ao depoimento das testemunhas". Contra - Carnelós é contra a reconstituição. Segundo ele, não há necessidade, pois o estudante de medicina admitiu o crime. "Fazer a reconstituição é mexer ainda mais com a dor das famílias das pessoas mortas no cinema e vai fazer mal para Mateus, que está desequilibrado". O advogado pretende ingressar no Tribunal de Justiça com medida cautelar para impedir a presença de seu cliente na reconstituição. Prova - Para o delegado Reino Francisco, apesar da confissão de Meira e da prisão de Marcos Paulo Almeida Santos, que teria vendido a submetralhadora para o estudante, a reconstituição é necessária para fortalecer a prova contra o acusado. "A reconstituição não vai atrasar a conclusão do inquérito e Mateus terá de nos mostrar como entrou no cinema, como deu o tiro no espelho do banheiro e a maneira como se comportou na sala de projeção até apontar a submetralhadora e atirar nas pessoas", adiantou Reino Francisco.
O estudante de medicina, segundo o delegado, está recebendo tratamento igual aos demais presos do 96.º DP. Separado dos demais, Meira nos primeiros dias recusou a comida - arroz, feijão, carne, batata, salada e pão - servida em marmitex. Desde domingo passou a fazer as refeições, que completa com bolacha e água mineral, compradas por seu advogado a pedido do pai. Meira tem recebido todos os dias a visita de seu psiquiatra, José Cassino Nascimento Pitta. Psiquiatra - O médico psiquiatra José Cássio do Nascimento Pitta conversou hoje com seu cliente nas dependências do 96º Distrito Policial. Para o médico, ainda é prematuro avaliar se Meira tem ou nao condições emocionais de participar da reconstituição do crime. Segundo Pitta, Meira estava muito ansioso e continua tomando a mesma medicação que vinha recebendo anteriormente, quando foi internado no início de outubro. O estudante tinha parado com o remédio cerca de 15 dias antes de cometer o crime, disse Pitta. Segundo ele, Mateus tem demonstrado arrependimento pelo que fez e não apresenta alterações de humor. (Renata Rondino e Renato Lombardi)





