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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 08 (AE) - O estudante de medicina Mateus da Costa Meira, de 24 anos, que matou a tiros de submetralhadora três pessoas e feriu outras cinco na sala de projeção do cine 5 do MorumbiShopping deverá ser transferido até o fim da semana para o 13.º Distrito Policial, na Casa Verde, zona norte. Nas celas do 13.º DP estão policiais e ex-policiais, civis e militares, condenados ou à espera de julgamento por crimes como assassinato, extorsão e tráfico.
Meira está ocupando uma cela do 96.º Distrito Policial, do Brooklin, desde a noite de quarta-feira. No 13.º DP, o sextanista da Santa Casa de Misericórdia deverá dividir o espaço com outros 15 detentos. Um deles é um policial suíço preso em São Paulo há três meses e autuado por tráfico internacional de cocaína. Carandiru - O delegado seccional sul, Olavo Reino Francisco, responsável pela investigação, informou que a decisão da transferência caberá ao juiz-corregedor Maurício Lemos Porto. "Dos distritos da capital, o da Casa Verde é o que apresenta melhores condições de segurança para Meira", afirmou o delegado. "Ele deverá permanecer ali pelo menos durante toda a instrução do processo".
Assim que for liberado pela polícia e pela Justiça, Meira poderá ser transferido do 13.º DP para uma das celas do Centro de Observação Criminológica (COC) ou para o Pavilhão 4 da Casa de Detenção, no Carandiru, onde ficará até o julgamento. Os dois presídios contam com celas individuais.
O advogado Eduardo Pizarro Carnelós, que defende Meira, entregou no fim de semana, no 96.º DP, camisetas, bermudas e um par de chinelos para o estudante. Quando foi preso, Meira vestia camiseta branca e jeans, que ficaram manchados de sangue. No dia seguinte, ele vestiu bermuda e camiseta entregues pelos policiais.
Mãe - Meira tem-se deitado num saco de dormir acolchoado. "Ele queria um cobertor", contou Reino Francisco. "Mas, como o médico que o acompanha disse que ele pode se suicidar, evitamos dar a ele qualquer objeto que possa ser usado para fazer uma corda". O saco de dormir, que estava no apartamento de Meira, na Rua Dona Veridiana, foi levado ao distrito a pedido do estudante.
O oftalmologista Deolino Vanderlei Meira, pai de Meira, continua em São Paulo. Ele mandou para o filho material de higiene pessoal: sabonete, desodorante, pasta e escova de dentes. Deolino, que esteve com o filho por mais de duas horas na sexta-feira, deve visitá-lo de novo quarta-feira. A mãe do estudante, Alina, também deverá vê-lo. No fim de semana, Deolino reuniu-se com o advogado Carnelós. Eles discutiram a estratégia a ser apresentada pela defesa à Justiça. Inquérito - O inquérito das mortes no cinema está para ser concluído. "Faltam o laudo toxicológico, que o Instituto Médico-Legal prometeu entregar quinta-feira, e o depoimento de duas testemunhas", disse o delegado. O laudo toxicológico deve indicar se Meira estava drogado ou alcoolizado ao cometer o crime.


