Brasília, 08 (AE) - O novo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Carlos Frederico Marés, assumirá o cargo na quinta-feira disposto a concluir o processo de demarcação de terras e incentivar formas de desenvolvimento auto-sustentado nas aldeias indígenas do País. Ele vai substituir Márcio Lacerda, que deixa a Funai oito meses depois de ter sido nomeado pelo ex-ministro da Justiça Renan Calheiros. Lacerda pôs o cargo à disposição na quinta-feira para que o ministro José Carlos Dias tivesse liberdade para formar sua equipe.
Advogado e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Marés, de 53 anos, atua há 20 anos em questões ligadas aos índios. Ciente da falta de recursos da Funai e da complexidade dos problemas que vai enfrentar, ele espera obter dinheiro a fundo perdido do Banco Mundial e "chorar" por um orçamento maior. "O Brasil se beneficia muito menos do que podia das verbas a fundo perdido do Banco Mundial"
disse hoje.
A proteção ambiental das áreas demarcadas é outra preocupação do novo presidente. "É um problema que envolve a extração de madeira, minério e, mais recentemente, a biotecnologia", afirmou, referindo-se à utilização dos conhecimentos indígenas sobre usos medicinais de plantas e animais por laboratórios farmacêuticos, sem a contrapartida financeira aos índios. Exílio - Marés já foi procurador-geral do Paraná no começo dos anos 80, durante o governo do senador Roberto Requião (PMDB-PR), e secretário da Cultura de Curitiba por seis anos, entre 1983 e 1988, incluindo o período em que Requião foi prefeito. Sua tese de doutorado na Universidade Federal do Paraná era sobre os direitos dos povos indígenas. Como advogado, ingressou com ações na Justiça para garantir a posse de terras pelos índios. A militância na causa indígena o aproximou de antropólogos, incluindo a primeira-dama Ruth Cardoso, que conheceu em congressos acadêmicos. Filiado ao Partido Comunista na juventude, Marés foi detido durante o regime militar e exilado entre 1970 e 1979, quando voltou ao País graças à Lei da Anistia. O desenvolvimento auto-sustentado das comunidades indígenas também era uma preocupação de Márcio Lacerda. Para Marés, a principal dificuldade de qualquer tentativa nesse sentido é a diversidade das culturas indígenas e do tipo de atividade que cada uma pode vir a desenvolver. "É preciso uma política para cada povo", disse Marés. "Ou seja, a política nacional é dizer que cada povo deve ter a sua política".

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