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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 08 (AE) - O Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), que entrará em operação em 2002, não ficará restrito ao controle do espaço aéreo e de fronteira brasileiros. Os radares que serão instalados em 32 cidades da região vão ajudar no monitoramento e controle de doenças endêmicas na Amazônia, como a malária e a leishmaniose. A técnica, que cruza imagens de satélite com dados de campo, foi desenvolvida pela epidemiologista americana Louisa Beck, do Centro de Pesquisas da Nasa, e será apresentada na quinta-feira no seminário Ecossistemas e Saúde Pública: Doenças Emergentes, Reemergentes e Transmissíveis, na sede da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio.
"Além de ser vantajoso economicamente, o sensoriamento remoto (por satélite) permite a construção de modelos preventivos de controle de doenças e o estudo dos fatores ambientais correlacionados com as enfermidades", explica Louisa Beck. "Com um mapa dos locais onde poderão ocorrer surtos epidêmicos, é possível realizar ações de vigilância específica nessas regiões, evitando esses surtos e, ao mesmo tempo, reduzindo o custo financeiro das políticas de controle".
Segundo a epidemiologista, o mapeamento por satélite já vem sendo usado há 10 anos nos Estados Unidos, principalmente por instituições como o National Institute of Health. As regiões periodicamente monitoradas são os estados do nordeste e da área central do país, onde são comuns surtos por hantavírus, peste bubônica, raiva silvestre, encefalite viral e dengue.
Custo - O custo médio de monitoramento de uma área de 180 quilômetros quadrados é de US$ 400 mil. "Se fossemos fazer esse mapeamento somente com o trabalho de campo, esse custo subiria em pelo menos cem vezes", calcula o epidemiologista Gustavo Bretas, assessor de saúde do Sivam. Ele explica que o sensoriamento remoto possibilita acompanhar a área vigiada periodicamente. "Esse tipo de controle, por causa justamente do seu custo, é praticamente impossível de alcançar somente com os dados obtidos no trabalho de campo".
No Brasil, a técnica já vem sendo aplicada em áreas pontuais desde 1995 e sua utilização em uma área como a prevista pelo Sivam, que constitui 52% do território nacional, ainda é inédita. Segundo Bretas, um dos maiores especialistas no assunto do País, a idéia inicial do Projeto Sivam é mapear as áreas de riscos de surtos por malária. Hoje, a Amazônia registra cerca de meio milhão de novos casos da doença por ano. O pesquisador cita o exemplo da região da Hidrelétrica de Serra da Mesa, em Goiás, onde há cinco anos vem sendo feito o mapeamento por satélite de focos de malária.
Segundo ele, 20% da área total da hidrelétrica, de 1,7 mil quilômetros quadrados, apresenta risco de ocorrência da doença. "Com o sensoriamento remoto, pudemos evitar que ocorresse uma epidemia de malária na região, porque conseguimos prever os possíveis locais onde o mosquito transmissor poderia se desenvolver", explica. Com uma equipe de apenas 20 motoqueiros-monitores, que percorrem frequentemente essas áreas de risco, a posssibilidade de surto de malária caiu a quase zero. "Até agora, tivemos apenas dois focos da doença que foram logo controlados", afirmou.


