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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Carla Franco 
São Paulo, 08 (AE) - O advogado de duas testemunhas do crime ocorrido na quarta-feira passada no MorumbiShopping, Wagner Andrade, disse hoje que vai entrar com uma ação de indenização por danos morais contra o estabelecimento. Segundo ele, seus clientes, a estudante Joana Monteiro, de 18 anos, e o administador de empresas Sílvio Andrade, de 25, presentes na sala 5 do cinema do shopping - quando o estudante de medicina Mateus da Costa Meira, matou três pessoas e feriu outras cinco com uma submetralhadora -, não receberam qualquer tipo de assistência após o crime.
"Eles saíram do cinema abalados psicologicamente e tiveram que ir para casa dirigindo sem receber assistência", afirmou. Na opinião do advogado, tanto o cinema quanto o shoppinbg, como prestadores de serviços, têm responsabilidade objetiva pelos fatos, independente de culpa. Andrade esteve esta tarde com seus clientes no 96º Distrito Policial, anexo a Seccional Sul, na zona sul da capital, para uma conversa com o delegado titular Olavo Reino Francisco, responsável pelo caso. A data do depoimento oficial das duas testemunhas à polícia ainda não foi marcada.
Visivelmente abalados, Sílvio e Joana disseram que foram incentivados pelos seguranças do shopping a deixar o cinema rapidamente depois da tragédia. "Eles disseram: vamos liberar a área logo porque a polícia vai chegar e aqui ninguém vai querer prestar depoimento", contou Sílvio Andrade. "Eu me senti marginalizado". Para Joana, a atitude dos seguranças foi uma tentativa de "abafar" o caso para não comprometer o shopping. O administrador de empresas e a estudante contaram que estavam sentados logo atrás da fotógrafa Fabiana Lobão, morta por Meira com dois tiros, e que conseguiram abaixar e se proteger dos disparos.


