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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Renata Rondino 
São Paulo, 08 (AE) - O promotor de Justiça Norton Geraldo Rodrigues da Silva, designado para acompanhar o inquérito que apura as mortes de três pessoas no MorumbiShopping
na quarta-feira passada, disse hoje que o Ministério Público faz questão de realizar, ainda esta semana, a reconstituição do crime praticado pelo estudante de medicina Mateus da Costa Meira. Segundo Rodrigues da Silva, o trabalho é necessária para "restabelecer a dinâmica dos fatos". No entanto, o advogado do estudante, Eduardo Pizarro Carnelós, afirmou que o acusado não vai participar desta reconstituição. "Ele vai se recusar e pronto", disse.
O promotor ponderou, entretanto, que a presença de Meira não é fundamental e reiterou que a recuperação do que aconteceu é importante porque os fatos divulgados até agora pela imprensa não têm valor legal. "Isso é mentira. Fazer essa reconstituição é tripudiar sobre a dor das famílias das vítimas e vai fazer mal para o próprio Mateus", contestou o advogado. Norton Rodrigues da Silva explicou que a fase do inquérito deve estar encerrada até a próxima sexta-feira; em seguida, ele deverá oferecer a denúncia contra o acusado no 1º Tribunal do Júri.
Ele esclareceu Meira será denunciado como criminoso comum, dispensando a necessidade de um exame de sanidade mental. O advogado do estudante explicou que, se esse exame nao for solicitado pela Justiça, ele mesmo entrará com o pedido. Norton Rodrigues disse ainda que, se a Justiça aceitar a denúncia, o sextanista de medicina vai a júri popular. Outro ponto importante do inquérito é o resultado exame toxicológico, para determinar se o estudante estava ou não drogado quando atacou os frequentadores do cinema. Não há prazo para a divulgação desse resultado, mas o promotor espera que isso ocorra até a próxima sexta-feira. Psiquiatra - O médico psiquiatra José Cássio do Nascimento Pitta conversou hoje com seu cliente nas dependências do 96º Distrito Policial. Para o médico, ainda é prematuro avaliar se Meira tem ou nao condições emocionais de participar da reconstituição do crime. Segundo Pitta, Meira estava muito ansioso e continua tomando a mesma medicação que vinha recebendo anteriormente, quando foi internado no início de outubro. O estudante tinha parado com o remédio cerca de 15 dias antes de cometer o crime, disse Pitta. Segundo ele, Mateus tem demonstrado arrependimento pelo que fez e não apresenta alterações de humor.


