São Paulo, 8 (AE) - O secretário de Segurança Pública do Estado, Marco Vinício Petreluzzi, afirmou hoje que a camada mais pobre da população tem se mostrado mais disposta a pagar a taxa de segurança de R$ 2,50, a ser descontada na conta telefônica. "Essa coisa de quem pode pagar, quem não pode, na minha pesquisa pessoal não está dando certo, o povão mesmo tem muita solidariedade", disse. No entanto, o secretário disse não poder dar garantias de que a contribuição resolverá a questão da segurança pública no Estado. "Eu garanto é que esse dinheiro será todo aplicado em segurança", afirmou.
Petreluzzi reclamou que a população insiste em atribuir a criminalidade à polícia. Segundo ele, o caso do estudante Mateus da Costa Meira, que matou três pessoas no MorumbiShopping na semana passada, é um exemplo de violência gerada pela própria sociedade. "O que tem a ver com a polícia?", indagou. Para o secretário, a divulgação excessiva do assunto pela imprensa brasileira estimula novos crimes desse tipo.
O governo deve decidir em uma semana se mandará ou não a proposta da taxa à Assembléia Legislativa. "Antes de enviar o projeto à Assembléia, abrimos a discussão, se a sociedade não quiser, não vamos nem mandar", disse. Petreluzzi afirmou não haver possibilidade de ser uma taxa voluntária. De acordo com o secretário, o governo está estudando apenas formas de isenção.Para o secretário, os parlamentares que se manifestaram contrariamente ao projeto não querem dar dinheiro para a segurança pública. "Quero que essas pessoas assumam isso depois", cobrou.
Sobre as chacinas do fim de semana, argumentou que o índice de homicídios está abaixo da média em relação ao ano anterior. "Essas coisas não se combatem na emergência, têm de ser feitas com planos", afirmou. As declarações foram dadas no início da tarde, após a abertura do Seminário Interamericano Sobre Treinamento de Policiais - II Cúpula das Américas, que reúne representantes de 21 países latino-americanos, até o dia 10. Além do secretário, participou da abertura do evento, no Memorial da América Latina, em São Paulo, o ministro da Justiça, José Carlos Dias.

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