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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 08 (AE) - O consumidor deverá continuar pagando caro pelo crédito neste fim de ano, mesmo que o governo decida reduzir os juros básicos da economia na reunião de quarta-feira do Comitê de Política Monetária. A inadimplência alta e o elevado custo de captação de longo prazo pago pelas financeiras para obter dinheiro para emprestar a seus clientes são apontados pelos especialistas como fatores que estão freando a queda nas taxas. A expectativa do mercado é que os juros básicos recuem de 19% para 18,75% ao ano, com queda de 0,25 ponto percentual.
"Essa redução não terá impacto nas taxas cobradas do consumidor", diz o presidente da Acrefi, associação que reúne as financeiras, Manoel de Oliveira Franco. A Losango, financeira do Lloyds Bank, por exemplo, admite a possibilidade de reduzir em 0,1 ponto percentual - de 7,1% ao mês ou 127,76% ao ano para 7% ao mês ou 125,22% ao ano - a taxa média cobrada do consumidor
se os juros básicos recuarem 0,25 ponto percentual, segundo o diretor-executivo comercial, Leonel Andrade.
Na opinião do presidente da Acrefi, o custo de captação de longo prazo dos recursos usados pelas financeiras se mantém em níveis elevados - 26% ao ano por causa da pouca oferta de dinheiro. Isso impede a queda nas taxas ao consumidor.
Andrade, da Losango, diz que a inadimplência hoje está menor que a registrada no ano passado, mas ainda é elevada para propiciar uma redução maior nos juros. "Uma taxa de 3% cobrada do consumidor não cobre o custo de captação, impostos, gastos com administração e inadimplência", diz. A expectativa da financeira é fechar este ano com taxas médias de juros de 6,8% ao mês ou 120,22% ao ano. Essa redução nos juros, explica, ocorrerá mais por conta das promoções eventuais em conjunto com as grandes redes de lojas. Até o fim do ano que vem, a perspectiva é que o consumidor esteja pagando, em média, 5,5% ao mês ou 90,12% para obter crédito da financeira.
Desde o pacote de outubro, editado pelo governo para baixar os juros, a Losango reduziu de 7,7% para 7,1% as taxas ao consumidor, a maior parte do corte - 0,4 ponto percentual - decorrente do repasse proporcional da queda do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o restante - 0,2 ponto porcentual - por conta de taxas menores. É que a maioria das medidas do pacote de juros ainda não foi aprovada pelo Legislativo, diz Andrade.
Franco, da Acrefi, destaca que a redução das taxas de juros após o pacote foi significativa. No caso de financiamentos de veículos, exemplifica, a queda média foi de 0,17 ponto porcentual para uma taxa de mensal de 3%. "Mas uma mudança de 3% para 2,83% é imperceptível para o consumidor", admite o presidente da Acrefi.
Para dezembro, a Losango espera emprestar mais de R$ 200 milhões aos consumidores, um volume cerca de 20% maior na comparação com igual período do ano passado, por causa da expansão no número de lojas que a empresa financia.
Atualmente, a maior fatia da carteira de crédito da Losango, que deve fechar o ano em R$ 1,2 bilhão, está voltada para financiamento de lojas. O plano da companhia para o ano que vem é ampliar o crédito pessoal e tornar-se uma financeira conhecida do consumidor, especialmente no Estado de São Paulo, onde serão inauguradas nove agências até março de 2000 de um total de 15 novas unidades. Os investimentos em marketing e tecnologia para o ano que vem deverão somar R$ 22 milhões, mais que o dobro do gasto em 1999.


