São Paulo, 08 (AE) - Boa parte dos economistas e executivos do mercado financeiro considera que a melhora no cenário doméstico permite que o Comitê de Política Monetária (Copom) não seja tão conservador na reunião de quarta-feira, a penúltima do ano, e promova uma queda, mesmo que ligeira, da taxa básica da economia brasileira. O número mais consensual está entre 18,5% ao ano e 18,75%. Mas há quem acredite que a taxa se deva manter inalterada, diante das incertezas do câmbio e da inflação.
Os economistas Dany Rapapport, do Banco Santander, e Adauto Lima, do Lloyds Bank, entendem que o Copom deve retificar as sucessivas quedas realizadas pelo Banco Central (BC) no dia-a-dia no mercado aberto. Hoje a taxa está em 18,80% ao ano. A queda, portanto, deve ser mais simbólica, recuando de 19% para 18,75% ao ano. Rapapport vê dois motivos para o governo não ser mais agressivo. Em primeiro lugar porque o real continua sob forte pressão.
Apesar de o cenário ter melhorado bastante depois de o governo ter conseguido negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um novo piso para as reservas líquidas internacionais, ganhando um fôlego de US$ 2 bilhões para evitar as pressões do mercado de câmbio, a taxa ainda está elevada. Se a cotação está pouco distante dos R$ 2,00, a moeda americana ainda insiste em ficar acima de R$ 1,90. "Um nível extremamente elevado", disse Rapapport . Além disso, acrescentou, a inflação também não deu sinais de queda. Espera-se que os índices cedam, mas o "BC não pode adiantar-se a essa etapa", por precaução.
Já o diretor de pesquisa do ING Bank, Mauro Schneider, acredita que a Selic pode chegar a 18,5%. "O conjunto de boas notícias que tivemos recentemente abre espaço para uma nova redução", afirmou, esperando que o Copom mantenha a tendência de baixa. O professor de Economia da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo é mais otimista, acredita que a taxa caia para 18,5% ou 18% ao ano.
O economista-chefe do Banco Bozano, Simonsen André Loes lembrou que as medidas anunciadas pelo BC na quinta-feira, relativas à negociação dos títulos públicos, foram bem recebidas pelo mercado e os recentes números do IPC da Fipe dão condições para um certo otimismo.
Até o fim do ano, o Copom terá mais uma reunião, em 15 de dezembro. O economista do Lloyds acredita na manutenção da tendência de baixa e, em dezembro, pode haver outra pequena redução da taxa Selic. Lima ressaltou, no entanto, que será preciso fica atento ao comportamento do dólar no próximo mês, por causa do volume elevado de vencimento de títulos da dívida externa de empresas e bancos.
No entanto, se o câmbio permanecer calmo, não haverá impacto significativo sobre o Índice de Preços ao Atacado, o que beneficia também os juros, pois a maior preocupação hoje é justamente com a inflação", acrescentou Lima. Para o fim do ano
Schneider espera que a Selic seja reduzida para até 18%, enquanto Belluzzo projeta um número entre 17,5% e 18%.
O professor da Unicamp não acredita em saltos significativos da inflação até o fim de 99, mas afirma que o assunto poderá voltar a preocupar no ano que vem. "Não acho que exista o risco de voltarmos àquela inflação absurda do passado, mas se de fato houver uma retomada do crescimento econômico em 2000, haverá um reajuste natural das margens que hoje estão reprimidas. E o governo precisará ser cauteloso para lidar com isso.

mockup