São Paulo, 08 (AE) - O governo do Estado abre amanhã, às 9 horas, na Bolsa de Valores de São Paulo, as propostas financeiras para a licitação da segunda área da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás). A disputa pela concessão da chamada área 2, que abrange 375 municípios das regiões de Araçatuba, Barretos
Bauru, Franca, Marília, Presidente Prudente e São José do Rio Preto, com 7,2 milhões de habitantes, promete ser acirrada. O preço mínimo fixado é de R$ 110 milhões. Estão qualificados quatro consórcios compostos por empresas que já participaram do leilão da área 1, vencido pelo grupo liderado pela British Gas.
Os consórcios que vão disputar a concessão são integrados pelo grupo espanhol Gás Natural; o norte-americano Enron, que também tem a participação da Northern Natural Gas Company; o italiano Gás-Brasiliano, formado pela Agip e Italgás; e o Noroeste Gás, integrado pela BR Distribuidora e a norte-americana CMS - Brasil Energia. Os grupos estrangeiros que participam da licitação já têm atividades no País. A única brasileira é a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás.
O principal atrativo para essas empresas é a localização da área, que é dividida pelo gasoduto Brasil-Bolívia, o que torna propícia a construção de usinas termoelétricas para o fornecimento suplementar de energia ao Estado, hoje fortemente (mais de 60%) dependente da eletricidade gerada em outros Estados, especialmente por Itaipu, sob a responsabilidade de Furnas.
A empresa que ganhar a licitação assumirá o compromisso de investir pelo menos US$ 100 milhões em infra-estrutura para distribuição de gás natural e, com isso, concretizar parte dos planos do governo paulista de ampliar a área de distribuição de gás natural em todo o Estado.
Alguns analistas especializados em energia acreditam que o ágio pago pela concessão será elevado. Reconhecem, no entanto, que o interesse pela Região Noroeste não seja, nem de longe, semelhante ao despertado pela área 1, composta pela Grande São Paulo, Baixada Santista e regiões de Campinas e do Vale do Paraíba. Essa área já dispõe de infra-estrutura coonstruída pela Comgás e o potencial de consumo industrial é de 3,7 milhões de metros cúbicos por dia. O consumo estimado para a área 2, ou seja, após a instalação da rede de distribuição, é de 2,6 milhões.
Essa será a última privatização do ano. A área 3 de distribuição de gás encanado, na região Sul do Estado, só será licitada em 2000, segundo o programa de privatização do governo Mario Covas.
O consórcio vencedor na licitação de amanhã só poderá concorrer com a Comgás a partir de 2011. Isso ocorre porque a empresa vencedora da licitação da área 1 tem garantia de exploração exclusiva do mercado mais rico do Estado por 12 anos. A partir de 2011, outras empresas poderão participar desse mercado.





