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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Irany Tereza e Maria Fernanda Delmas 
RIO, 08 (AE) - As ações da Petrobras tiveram valorização de 25% desde que a empresa anunciou suas mudanças contábeis e o novo planejamento estratégico. A elevação na cotação, verificada de 1º de outubro até a última sexta-feira, somou R$ 4 bilhões ao valor de mercado da companhia, segundo informou hoje o presidente da estatal, Henri Philippe Reichstul.
O crescimento superou em dez pontos percentuais a variação do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) no mesmo período e a expectativa do mercado é de que ainda há uma grande margem de crescimento para estes papéis. "O preço justo por ação hoje seria de US$ 224, mas ela está valendo apenas US$ 190", diz Rodrigo Marques, analista especializado em petróleo do banco Bozano, Simonsen. Ele atribui a elevação na cotação a dois fatores: a depreciação das ações desde o início do ano e a mudança de gestão da empresa, que lhe deu mais transparência.
"Fizemos ajustes contábeis duros e corajosos, na medida em que não se sabia exatamente o tipo de reação do mercado", disse o ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, durante seminário sobre petróleo promovido hoje pela Fundação Getúlio Vargas. "A posição hoje é de total transparência da Petrobras e não existe absolutamente mais caixa preta nenhuma", afirmou, referindo-se às dificuldades de acesso que havia antes com relação às contas da empresa, acrescentando que hoje a contabilidade é informada diariamente ao Banco Central.
Segundo avaliações de analistas, o preço de mercado da Petrobras está hoje em R$ 39,8 bilhões. O mercado financeiro espera para os próximos dias a divulgação do balanço do terceiro trimestre da empresa e a expectativa é de uma nova valorização. "O governo está mudando o direcionamento da Petrobras e há um consenso no mercado de que a empresa está realmente passando a operar como outras companhias internacionais de óleo", diz Marques.
Na última análise detalhada feita pelo Bozano, Simonsen, em agosto, as ações da Petrobras estavam cotadas a R$ 250 e, hoje, já estavam sendo negociadas a R$ 366, uma valorização de 46%. "Estamos tendo uma confirmação do mercado de que a empresa está no caminho certo", avalia Reichstul.
Plataformas - O presidente da Petrobras confirmou hoje que a direção da empresa deve manter a intenção de cancelar contratos de fornecimento de equipamentos que não sejam entregues dentro do prazo. No dia 14 de outubro, a companhia informara aos fornecedores que deve cancelar o acordo para entrega de quatro sondas de perfuração pela Marítima e de uma pela empresa Chaim, por atraso no contrato. "Vamos exigir que se honrem prazos e preços estabelecidos", disse Reichstul.
Segundo ele, não foram encontradas irregularidades nas licitações vencidas pela Marítima, que seguiram o que dita a lei 8666. Ele questionou, porém, a validade do documento apresentado pela empresa e assinado pelo então superintendente de Produção e Exploração, Luiz Eduardo Carneiro, em maio do ano passando, conferindo à empresa um acréscimo de 540 dias (cerca de um ano e meio) no prazo de entrega dos equipamentos.
"É uma apenas uma carta, que não seguiu a formalização no departamento jurídico para aditamento no contrato", alega Reichstul. "Não há como estender o prazo." Segundo ele, a Petrobras já está negociando no mercado a contratação de novas sondas. Os contratos com a Marítima começam a vencer no fim do ano e os acordos formais prevêem uma extensão de seis meses em cada um deles. Em maio, a Petrobras cancelou outros três contratos com a Marítima.


