São Paulo, 08 (AE) - O mercado brasileiro de seguros, agitado hoje pela chegada da francesa Cardif e da norte-americana Principal, movimentou cerca de R$ 19 bilhões em 98, o equivalente a 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Esse mercado, operado por cerca de 100 seguradoras, tem potencial para atingir a marca de 6% do PIB em três ou quatro anos, segundo previsão da Federação Nacional das Empresas de Seguro Privado e de Capitalização (Fenaseg).
A Cardif, quarta maior empresa de seguros de vida e de previdência privada da França, anunciou investimentos de US$ 10 milhões nos próximos três anos. A Principal comprou 42,01% do capital votante da Brasilprev, empresa de previdência privada controlada pelo Banco do Brasil. Entre 94 e 98, o número de empresas estrangeiras no Brasil aumentou em torno de 500%, bem acima do desempenho do setor, que de 95 a 98 cresceu 35%.
Segundo o presidente da Comissão de Administração e Finanças da Funaseg, Carlos Roberto Costa Pinto, o crescimento projetado para o setor está atrelado a dois fatores. No curto prazo, o mercado aguarda a privatização do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) - que detém o monopólio do setor e deve movimentar cerca de R$ 500 milhões este ano -, prevista para ocorrer até a metade do ano 2000. Outra expectativa das seguradoras para ampliar seus negócios é a privatização do sistema de previdência social, tema que já tramita no Congresso.
No leque de produtos oferecidos pelas seguradoras, o que mais vem crescendo e atraindo os investidores externos é o de seguro de vida, segundo Costa Pinto. De acordo com ele, há quatro anos essa modalidade de seguros representava 13% do mix do mercado, hoje atinge 20%. No mesmo período, o seguro de automóveis, líder no ranking do setor, perdeu 10% do mercado. "O crescimento do seguro de vida reflete a estabilidade da economia", explicou Costa Pinto.
Para o diretor da Fenaseg, a entrada dos estrangeiros no País beneficia as empresas domésticas, que ganham com a oportunidade de absorver o know-how internacional. Ele não acredita, porém, que a participação do capital estrangeiro no País diminuirá o custo dos seguros, mas, na sua opinião, aumentará a receita do setor. Para este ano, a Fenaseg espera crescer 5% (faturamento), contra os 12% registrados no ano passado, na comparação com 97. Segundo Costa Pinto, a expectativa menor para este ano deve-se à desvalorização do câmbio, que trouxe perdas ao faturamento do setor. Para o ano 2000, levando-se em conta as projeções do governo de inflação menor e de crescimento do PIB, as previsões apontam para uma expansão de 10%.

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