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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 08 (AE) - O volume de dinheiro em circulação no sistema financeiro vai crescer em torno de R$ 12 bilhões em dezembro, mas o governo não espera uma alta da inflação no período por conta da expansão da base monetária. Mais da metade desses recursos, exatamente R$ 7 bilhões, representa o adicional que o Banco Central pretende deixar disponível para atender a população se houver um aumento dos saques por conta do bug do milênio.
"A demanda por papel-moeda em dezembro é sempre de 20% a 25% maior do que nos outros meses do ano", explicou o coordenador do Grupo Bug 2000 do Banco Central, Antonio Gustavo Matos do Vale. "Como esse ano a procura por dinheiro poderá ser maior, decidimos ampliar nossos estoques em 30% acima do nível esperado para o último mês do ano", revelou. O Banco Central já encomendou 120 milhões de novas cédulas à Casa da Moeda.
"Vamos garantir a liquidez do sistema, mas não acredito em uma corrida aos bancos", disse Vale. O economista do Chase Manhattan, Luiz Fernando Lopes, advertiu que o aumento de dinheiro em circulação é importante para que não ocorra uma alta das taxas de juros no mercado financeiro. "Quando há uma pressão por papel-moeda, os juros sobem e influenciam o comportamento da economia", explicou.
Segundo o coordenador do BC, o destino desse dinheiro não deve ser o consumo. Até porque, se não houver uma corrida aos bancos, os recursos vão permanecer guardados no estoque do banco. "Quem pretende comprar, faria isso com dinheiro na mão ou na conta bancária", sentenciou. Vale ressaltou que problemas nos caixas eletrônicos por conta do bug do milênio não é desculpa para tirar o apetite dos consumidores. "O cheque ainda é o instrumento de pagamento mais utilizado no País", afirmou.
O ex-presidente do Banco Central e economista da Tendência Consultoria, Gustavo Loyola, também descartou um aumento da inflação. Ele advertiu que a população pode correr um risco maior se tirar o dinheiro da conta bancária. Segundo ele, o grande problema do Brasil hoje é a violência e uma onda de rombos seria pior do que o risco de falhas técnicas nos sistemas eletrônicos dos bancos. "Quem levar o dinheiro para casa precisa saber disso, é preciso dar mais informação para a sociedade", avaliou.


