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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Eduardo Magossi 
São Paulo, 08 (AE) - A liberação dos estoques de álcool hidratado do governo para reduzir o preço do produto ao consumidor seria uma estratégia equivocada, segundo o superintendente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Luiz Carlos Corrêa Carvalho. Para ele, o governo iria combater a guerra pela frente errada. Carvalho disse que não entendeu a declaração do ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, de que o governo deverá liberar os estoques para reduzir os preços. "Foi o próprio governo que decidiu criar estes estoques reguladores para reduzir as perdas dos produtores e ajudar a recuperação do preço do álcool, que caiu para um piso de R$ 0,16 por litro, pago ao produtor, em maio deste ano", disse Carvalho.
Segundo ele, o objetivo do governo seria recompor o preço pago ao produtor lentamente até chegar aos R$ 0,41 por litro pago em maio de 1997, antes da liberação do setor. Atualmente, o preço pago ao produtor gira em torno de R$ 0,30 por litro, inferior ao objetivo do governo. Para Carvalho, se o governo quer corrigir o preço do álcool na bomba (no posto de combustível), "ele precisa encontrar, antes, onde está o problema que não está no produtor". Carvalho disse também que os preços do álcool na bomba estão subindo principalmente por dois fatores: questão da inibição da sonegação fiscal e o aumento da base de arrecadação de impostos, uma vez que a partir de outubro passado o governo retirou qualquer subsídio do preço do álcool, o que pode gerar um impacto de cerca de R$ 0,40 no litro do álcool na bomba.
Segundo Carvalho, o preço da bomba era, antes, reduzido porque o governo "subsidiava" o valor total. "Agora este subsídio foi retirado", disse. Ele afirmou também que nos últimos meses houve uma "guerra" entre as distribuidoras que estavam vendendo o álcool por um preço abaixo do normal. "Com alteração na cobrança de impostos, este problema foi parcialmente resolvido e os preços cobrados estão voltando ao normal", disse.
O consultor Júlio Maria Borges, da Job Consultoria, especializada em agribusiness, disse que prefere entender que o ministro das Minas e Energia irá liberar os estoques de álcool do governo se o preço ao produtor ultrapassar os R$ 0,41 por litro proposto pelo próprio governo. Segundo ele, a idéia do governo, quando criou estoques, era de recompor os preços deprimidos. "O preço ideal seria aquele que foi pago ao produtor em maio de 1997, ou seja, R$ 0,41 para o álcool hidratado e R$ 0,45 para o anidro", disse. Segundo ele, os preços ainda não chegaram a estes patamares. Borges explica que hoje o preço pago ao produtor pelo litro de hidratado é de R$ 0 395 e pelo anidro de R$ 0,43.
"O setor está chegando perto de voltar à normalidade do mercado e seria um contra-senso liberar os estoques agora", disse. Segundo ele, os preços estão voltando ao normal depois de passar por um período de excesso de estoques. "Talvez esta recomposição de preços ao produtor, de R$ 0,16 para R$ 0,395, tenha sido rápida demais e tenha dado a impressão de que a alta é abusiva", disse. A expectativa de Borges é de que os preços atingiriam R$ 0,41 por litro em novembro e a partir daí seguiria estável, chegando a R$ 0,90 por litro na bomba. "O governo tem que levar em conta que ele retirou o subsídio do álcool e que aumentou a incidência de impostos, o que também pesa no preço final da "bomba"", disse. Segundo cálculos de Borges e da Unica, os estoques do governo de álcool não atingem os 2 bilhões de litros informados em nota oficial, hoje, mas um volume em torno de 800 millhões de litros a 1 bilhão de litros.


