Rio, 08 (AE) - O presidente da Associação dos Bancos do Rio de Janeiro (Aberj), Walber José Chavantes, não espera um forte crescimento das operações de crédito no País neste último trimestre por conta da nova cédula de crédito bancário, criada no mês passado pelo Banco Central. Ele lembrou que com um déficit nominal na casa dos 12% do Produto Interno Bruto (PIB), o governo acaba abocanhando grande parte dos recursos da iniciativa privada que poderiam ser destinados às operações de crédito.
"A despoupança do governo inibe uma reativação dos empréstimos", explicou Chavantes, que participou do seminário sobre Cédula de Crédito Bancário promovido hoje pela Aberj. "O governo responde por 43% da renda nacional, isso era apenas 30% há cinco anos atrás." Os juros elevados e a cunha fiscal são outros entraves ao crescimento do crédito no País. Entretanto, o presidente explicou que os juros não podem cair rapidamente, já que a medida teria impacto direto sobre o comportamento da atividade econômica. "Só deve ocorrer uma expansão ao longo dos próximos anos, quando se espera um reaquecimento da economia."
Chavantes ponderou que a criação da cédula vai diminuir o custo das operações de crédito e agilizar a cobrança dos inadimplentes. Essa melhora na estrutura, segundo ele, pode estimular e desenvolver a cultura de empréstimos novamente no Brasil. "As cobranças às vezes se arrastam cinco anos, com o novo modelo, esse tempo deve cair para dois anos, no máximo", avaliou. O presidente explicou ainda que a nova cédula vem acompanhada de uma série de outras medidas para estimular o crédito nacional.

mockup