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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 08 (AE) - O Conselho Interministerial do Açúcar e do álcool (Cima) deverá aprovar esta semana a venda de parte dos estoques de álcool hidratado do governo federal, para forçar a queda dos preços ao consumidor. O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, formalizou hoje ao Cima a proposta de leiloar logo os estoques. Segundo o ministro, a medida reduziria o poder de imposição de reajustes nos preços por parte dos produtores de álcool, observado no início do mês.
O ministério também decidiu que a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, irá funcionar mais uma vez como um regulador do mercado para forçar a concorrência a vender o combustível mais barato. "Haverá uma estreita vigilância da BR Distribuidora", disse o ministro. A estatal já foi utilizada várias vezes este ano para regular os preços do combustível. A idéia é fazer com que a estatal reduza os preços para forçar a mesma queda nos postos concorrentes.
Na última sexta-feira, Tourinho sugeriu que os produtores de álcool estariam formando um cartel, controlando os preços, o que levou ao aumento nos preços de até 50%. Assim, o governo deverá determinar a venda do produto diretamente para as distribuidoras de combustíveis, impedindo que os produtores comprem do governo para fazer mais estoques especulativos. O subsídio ao álcool hidratado foi extinto no dia 1º de novembro.
O governo argumentou que a subvenção não é mais necessária, pois servia para que os preços de venda do álcool ao consumidor se mantivessem competitivos. Segundo nota distribuída pelo ministério, com o aumento de preços dos derivados de petróleo no mercado externo, o álcool tornou-se naturalmente competitivo.
A nova estratégia do governo é colocar no mercado álcool suficiente para reduzir os preços do produto no mercado. Não há, portanto, uma quantidade pré-determinada a ser leiloada, o que dependerá da reação dos preços. Os estoques governamentais de álcool estão estimados em 2 bilhões de litros, sob a responsabilidade da Petrobras, o suficiente para "regular o mercado", segundo nota distribuída pelo ministério.
Na prática, o Ministério de Minas e Energia só pretende usar a BR Distribuidora para regular os preços em última instância. O importante, admite o ministro, é que os concorrentes saibam que o governo tem um instrumento a mão para reduzir os preços em caso de aumentos excessivos. A BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, é a maior empresa do setor. A empresa participa com 35,2% do mercado de combustíveis e lubrificantes, e nos postos revendedores, a empresa tem 30% do mercado. São 7,2 mil postos com bandeira BR, espalhados por todo o País.


