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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Raquel Massote 
Belo Horizonte, 08 (AE) - O secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), embaixador José Botafogo Gonçalves, disse hoje, em Belo Horizonte, que a partir do próximo ano poderá haver uma recuperação moderada dos preços das commodities, favorecendo os resultados da balança comercial brasileira. Segundo ele, a balança comercial este ano deverá registrar déficit entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, considerado "espetacular" frente ao resultado do ano passado, que fechou em déficit de US$ 6,5 bilhões.
O embaixador acredita que os resultados só não serão melhores porque um volume de 45% a 50% são commodities. Além da recuperação moderada nas cotações destes produtos, Gonçalves estima um crescimento do volume de exportações principalmente dos setores de aviação, equipamentos da indústria de informática
carnes de frango e bovina, móveis, tecidos, calçados e também produtos dos setores considerados emergentes como jóias, granito e vidros. "O Brasil nunca foi um grande exportador, mas tem a capacidade de transformar o volume produzido em ofertas exportáveis", disse
Segundo Botafogo, o único setor que poderia favorecer a uma resposta imediata nos resultados da balança comercial seria o agribusiness, principalmente nos segmentos onde o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio já mantém Programas Especiais de Exportação como a fruticultura, proveniente da agricultura irrigada no nordeste do País, carnes e grãos. O secretário-executivo da Camex, que participou hoje do Encontro Empresarial Brasil-Alemanha, em Belo Horizonte, ressaltou que para incrementar o comércio junto à Alemanha, no entanto, seria necessário que os empresários e governo alemães dessem uma prova de credibilidade ao Brasil revisando tanto a política de subsídios ao setor agroindustrial como também a prática de barreiras tarifárias.
"É preciso que a Europa e os países mais fortes demonstrem a clara disposição de revisar a política de barreiras tarifárias, o que levaria o Brasil a responder na mesma moeda", afirmou, acrescentando também que "até hoje só tivemos manifestações de países europeus na revisão, mas nada ainda foi feito".


