Newport, 05 (AE-AP) - Usando um grande robô submarino, as equipes de busca norte-americanas encontraram nesta sexta-feira (05) as duas caixas-pretas do Boeing 767-300 da EgyptAir que caiu domingo no Atlântico, perto da costa de Massachusetts, informou um importante funcionário do governo. A fonte pediu que sua identidade fosse mantida em sigilo.
As 217 pessoas a bordo da aeronave morreram no acidente.
Lançado do navio USS Grapple da Marinha em meio a ondas de quase 3 metros, o Veículo de Operação Remota (ROV) , ou Deep Drone, com capacidade para atingir uma profundidade de 81 metros
localizou as caixas com as gravações de voz e dados dos últimos 30 minutos durante buscas a cerca de 100 quilômetros da ilha de Nantucket. Elas estavam a 78 metros de profundidade.
"A boa notícia é que estamos, neste momento, bem em cima dos dois sinais eletrônicos" emitidos pelas caixas, afirmou Jim Hall, diretor da Junta Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB), numa teleconferência para o Centro de Imprensa Estrangeira em Washington.
Depois de localizar as caixas, as equipes da Marinha passaram a lutar contra o tempo para tentar trazê-las à superfície. Para isso, contavam novamente com o ROV, equipado com sonar, câmeras e braços mecânicos, e capaz de trazer sozinho os equipamentos de gravação.
Se as caixas não fossem recuperadas ontem, uma nova tentativa talvez só pudesse ocorrer na segunda-feira. Isso porque, segundo a previsão meteorológica, o local da queda estava para voltar a ser atingido dali a algumas horas por ventos fortes e ondas de até 4 metros, que devem durar todo o fim de semana. Sob essas condições, nem o Deep Drone nem os 30 mergulhadores do USS Grapple podem trabalhar. As buscas já haviam ficado suspensas por dois dias por causa do mau tempo.
Os investigadores esperam que as informações contidas nas caixas-pretas esclareçam o que fez com que, meia hora após decolar de Nova York para o Cairo, o Boeing despencasse repentinamente de 10 mil metros para 5.100, recuperasse altura - subindo para 7.300 metros - e mergulhasse novamente para 3 mil metros, quando, aparentemente, se despedaçou.
Por enquanto, os investigadores examinam todas as possibilidades - falha mecânica, erro humano ou ato terrorista.
Os poucos destroços do avião recuperados até agora não têm nenhuma indicação de que possa ter ocorrido um incêndio ou uma explosão a bordo. Mesmo assim, surgiram entre os egípcios várias "teorias de conspiração" sobre a causa da tragédia, tendo como alvo principal Israel - apesar de os dois países terem assinado um tratado de paz em 1979. Muitas dessas teorias, todas sem nada para substanciá-las, surgiram porque o avião transportava 33 oficiais egípcios (a maioria de baixa ou média patente) que voltavam de treinamento nos Estados Unidos.
"Um agente israelense a bordo do avião usou um computador portátil para instalar um vírus no sistema de navegação do avião", especulou um contador de 34 anos no Cairo. Outros disseram que a tripulação pode ter sido incapacitada com agentes químicos, e outros ainda afirmaram que podem ter sido colocados explosivos sob o assento do capitão.





