Moscou, 05 (AE-ANSA) - Um enfrentamento entre funcionários do Kremlin e generais russos com responsabilidade nas operações militares na Chechênia causou a imprevista interrupção das férias de Boris Yeltsin e seu apressado retorno a Moscou, revelou nesta sexta-feira (05) o jornal Moskovski Komsomoliets.
O confronto foi causado por Alexander Voloshin, chefe da adminstração do Kremlin, informou o diário, citando fontes próximas ao presidente.
Preocupado pelo agravamento da imagem da Rússia devido ao conflito no Cáucaso, Voloshin informou aos generais que líderes russos pensavam em iniciar negociações com o presidente checheno Aslan Maskhadov para chegar a uma solução política.
Houve então uma violenta reação do chefe de Estado Maior, Anatoli Kvashnin, que telefonou pessoalmente a Yeltsin, em férias em Sochi, ameaçando renunciar, levando consigo todo o comando militar do Cáucaso, publicou o jornal.
Para neutralizar a crise, o presidente decidiu interromper as férias e resolver pessoalmente a desavença entre seus conselheiros e os chefes militares.
Após consultar o primeiro-ministro Vladimir Putin, Yeltsin colocou-se a parte das ordens militares ao declarar que "a Rússia está decidida a ir até o fim contra a guerrilha islâmica chechena".
Ainda nesta sexta-feira, o ministro de Situações Emergenciais da Rússia, Sergei Shoigu, pediu aos refugiados que retornassem à conturbada república da Chechênia, garantindo a eles proteção por parte das forças federais.
A Rússia atravessa uma crescente crise humanitária enquanto tenta fornecer ajuda às 200.000 pessoas que abandonaram o território checheno.





