Nova Délhi, 05 (AE-ANSA) - A segunda visita do papa João Paulo II à India ocorre em um momento em que os líderes católicos - que representam pouco mais de 2% da população indiana, formada por quase 1 bilhão de habitantes - estão sendo fortemente atacados em função da atividade missionária, que está convertendo ao catolicismo hindus das classes mais pobres.
Ativistas hindus dizem que os missionários cristãos estão forçando os pobres e as pessoas que vivem nas tribos a converterem-se ao catolicismo. Já os cristãos, argumentam que, ao ajudá-los, estão apenas fazendo caridade e que a conversão é, em última instância, uma decisão individual.
Por causa da visita, os hindus radicais intensificaram a pressão para que o papa se desculpe pelas tentativas de conversão que vem sendo feitas pelos missionários. Alguns grupos chegaram a dizer que têm um plano para mostrar ao papa o que os missionários está fazendo na Índia.
A agência de notícias oficial da Índia informou que o chefe de polícia de Nova Délhi, Ajai Raj Sharma, não tolerará protestos, durante a visita papal. Uma força especial de 55.000 policiais, concentrada na capital, estará encarregada de manter a ordem. Há cerca de 17 milhões de católicos na Índia, ante 850 milhões de hindus.
A polêmica em torno da visita do papa ainda é em função do longo período em que o país viveu sob dominação inglesa - até hoje, o catolicismo é associado ao período em que a Índia era colônia britânica.
"A Igreja está tentando subverter nossa cultura", diz R. Sanjav, membro da Associação Voluntária Nacional, um grupo hindu nacionalista, conhecido pelas iniciais RSS. "Estamos lutando contra a influência colonial, o conlfito continua", diz ele.
Para Sanjav, os missionários estão tentando desviar as pessoas do seu caminho: "O RSS, assim como outros grupos nacionalistas hindus negaram-se a participar de esquemas contrários à luta contra os cristãos, durante a visita do papa." Segundo ele, representantes do governo já avisaram líderes extremistas para que "fiquem em paz" durante a permanência do papa no país.
A visita do papa à India representa um desafio especial a João Paulo II, dizem especialistas. O pontífice tem se empenhado em promover o entendimento entre diferentes culturas. Mas o Vaticano admite que a Igreja deve manter as atividades missionárias.
Nos dias que antecederam a visita do papa, líderes católicos tentaram minimizar a influência dos grupos radicais. Eles dizem esperar que a visita do papa faça ressurgir na Índia a harmonia entre cristãos e hindus. Líderes católicos rejeitam a exigência dos radicais, que querem que o papa se desculpe pela ação dos missionários, junto à população pobre.
"Desculpar-se pelo quê?", pergunta o arcebispo Alan de Lastic, de Nova Délhi. "Você não pode forçar ninguém a mudar de religião. A conversão só acontece na mente e no caração das pessoas, é uma atitude pessoal. "Historicamente o cristianismo vem atraindo hindus presos às castas mais baixas da sociedade. Outros, foram atendidos em hospitais e escolas cristãs, que estão no país para atender aos pobres."





