PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 05 (AE) - "Menem - A vida Privada" é o título do livro que será lançado na quarta-feira que vem, e que promete deliciar os argentinos neste verão.
Esperado com expectativa pelo público, o livro, escrito pela jornalista Olga Wornat, é uma biografia não autorizada da vida privada de "El Turco", como é denominado popularmente Carlos Menem, que em dezembro deixará a Casa Rosada, sede do governo argentino, após uma década e meia de poder.
No livro, que já na primeira edição terá 25 mil exemplares e promete transformar-se em um best-seller, Wornat relata saborosamente a decisão de Menem casar-se com uma vedete, das ameaças de suicídio de sua filha Zulemita, da dependência do presidente argentino de videntes e astrólogas, do aborto de sua esposa Zulema Yoma e de suas brigas conjugais.
Segundo Wornat, no mesmo dia em que designou Domingo Cavallo como ministro da Economia, em janeiro de 1991, Menem tomou uma insólita decisão, que causou terror entre seus assessores: casar com a atriz de teatro de revista, a vedete Amalia "Yuyito" González. "Estou mal, sozinho. Se não me casar, ela vai me deixar. Ela quer casar...". Menem foi tranquilizado com a presença de sua astróloga particular, Teresa Damonte, e um par de soníferos. Os rumores sobre sua depressão e a possibilidade de renúncia se espalharam, causando irritação naqueles que o haviam apoiado. "Se for verdade vou lá e quebro a cara dele. Nós nos f...para que ele chegasse lá e agora ele se deprime?", disse furioso o sindicalista Luis Barrionuevo.
A presença de Damonte não era novidade. A "bruxa" chegou a ter grande influência sobre as decisões de Menem, e conheceu operações políticas e negócios sujos, afirma Wornat. A astróloga confessou à jornalista que "às vezes Menem parecia estar possuído. Eu o acalmava, ele beijava a cruz e chorava muito". Os assessores do presidente, ciumentos do poder de Damonte sobre ele, o apresentavam a outras astrólogas e videntes, e também pai-de-santos brasileiros, o que acabou gerando uma "guerra de feiticeiros".
Mas as astrólogas não conseguiram proporcionar a Menem uma plácida vida familiar: Wornat relata o escândalo feito por sua filha, Zulemita, quando descobriu que seu pai era visitado por Martha Meza na residência de Olivos. Meza, deputada peronista da província de Formosa, é mãe de um filho extra-matrimonial de Menem, que hoje tem 18 anos. "Papi, se você reconhecer esse daí
eu me mato", ameaçou aos gritos e choros Zulemita.
Menem convocou seu ex-cunhado, Emir Yoma, para acalmar a filha. Emir foi enxotado pela sobrinha. Irado, mandou dois homens buscar Meza, que foi trazida à força. Ali, Emir a ameaçou: "ou você desmente tudo, e vai para a Espanha, ou vai terminar como aquela garota que denunciou minha sobrinha...".
A referência de Emir era clara: anos antes, Zulemita colou em uma prova da faculdade de administração. Uma colega a denunciou e Zulemita ameaçou matá-la, tornando-se em um escândalo nacional. Um mês depois, por causa de um misterioso acidente de carro, a garota ficou quadriplégica.
Wornat também relata o aborto que Zulema Yoma teve que fazer em 1969, quando seu casamento estava a ponto de naufragar. Ela já havia passado por outro aborto em 1967, por "maus tratos". O divórcio quase chegou a meados dos anos 70, quando Menem bateu em Zulema com uma luminária. O divórcio só ocorreu nos anos 90, e no documento que apresentou, Menem admitiu que em 1988 havia se reconciliado com Zulema para poder ser candidato presidencial
já que a Constituição da época impedia a chegada ao poder de um homem separado.
Entre outros saborosos detalhes, Wornat relata os carregamentos do"viagra cubano" que Fidel Castro enviava a Menem, a relação edipiana que possui com sua filha, que frequentemente o interrompe para brincar de "esquilinho" (arranhar levemente a cara do outro como se fosse um esquilo), uma carta do filho, Carlos Menem Jr, onde acusa o pai de falta de hombridade e os ataques de depressão presidencial. Um amplo panorama para conhecer a turbulenta corte que controlou o país nos últimos dez anos.


