Sydney, 05 (AE-AP) - Cerca de 12,3 milhões de eleitores estão habilitados a votar amanhã (06) no referendo sobre a instauração de uma república - com um presidente eleito pelo Parlamento - ou pela continuação da monarquia constitucional, com a rainha Elizabeth II da Inglaterra como chefe de Estado.
Segundo pesquisas, os monarquistas deverão vencer o referendo
em grande parte porque a proposta não foi longe o suficiente: a maioria dos eleitores que pretendem votar contra a república não concorda com o fato de o Parlamento eleger o presidente.
Em um levantamento realizado pela empresa ACNeilson, publicado hoje pelo Sydney Morning Herald, apenas 9% dos pesquisados que planejam votar "não" (contra a república) disseram apoiar a monarquia.
A maioria disse que votará contra o sistema republicano porque não vê motivo para mudança e porque prefere eleger diretamente o presidente.
Dos 2.044 entrevistados em todo o país, 47% afirmaram que votarão contra a implementação do sistema republicano, enquanto 41% disseram que vão apoiá-lo. Doze porcento estão indecisos. Não foi informada a margem de erro.
Uma outra questão que deverá ser respondida pelos eleitores australianos é se eles concordam com a inclusão de um parágrafo na Constituição, definindo as aspirações e valores da nação.
A Austrália tornou-se independente em 1901, mas, assim como a maioria dos países pertencentes ao Commonweath, assim como Canadá e Papua Nova-Guiné, ainda reconhece a rainha da Inglaterra como sua chefe de estado.
O fato de se transformar em uma república não provocaria impacto no dia-a-dia do governo, nem na economia e no comércio.
O primeiro-ministro John Howard afirmou que votará "não" porque a proposta não oferece nenhum progresso para o país. "Penso que estamos certos ao tratarmos com ceticismo aqueles que dizem que haverá um novo nirvana caso nos tornemos uma república. Isso não é verdade", disse ele à emissora de rádio ABC.
Por outro lado, Peter Costello, vice-premier, afirmou que os australianos claramente preferem o sistema republicano. Mas, segundo ele, "a nação está dividida sobre a maneira que o presidente seria escolhido".
Caso os eleitores escolham o sistema republicano, a Austrália se tornará na 147ª república do mundo em 1º de janeiro de 2000. No momento, o país é uma das 64 nações com um monarca como chefe de estado.

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