Cairo, 05 (AE-AP) - Enquanto famílias das vítimas do vôo 990 da EgyptAir enfrentam sua dor, teorias de conspiração sobre a causa da queda do avião são espalhadas pelo Cairo. Elas vão desde um vírus injetado por Israel no computador de bordo até um míssil terra-ar disparado pelos EUA.
Tem havido até mesmo sugestões de que a queda estaria de alguma forma ligada à posse do novo governo do Egito. Desde que o novo ministério assumiu no mês passado, o Egito tem sido vítima de uma série de desgraças, destacou hoje um jornal da oposição.
No Egito, como no resto do Oriente Médio, teorias de conspiração não são uma novidade, apesar de nenhuma delas ter sido provada. O alvo normalmente é Israel.
Apesar de os dois países terem assinado um acordo de paz em 1979, a desconfiança aqui é grande em relação ao Estado judeu. Muitos egípcios estão convencidos de que Israel envia agentes para se infiltrarem pela fronteira.
Jornais escrevem - sem evidências - que gomas de mascar israelenses repletas de afrodisíacos estão inundando lojas egípcicas a fim de jogar jovens para uma vida de boemia; e de mulheres israelenses infectadas com o vírus HIV seduzindo egípcios em balneários da Península do Sinai.
Num café da moda no luxuoso subúrbio de Heliolpolis, no Cairo, um grupo de jovens ouvia com atenção um colega, Ibrahim Sameh, dar sua opinião sobre a queda no domingo do Boeing 767.
"Um agente israelense a bordo do avião usou um computador portátil para instalar um vírus no sistema de navegação do aparelho", disse o contador de 34 anos.
Por que motivo? Havia 33 oficiais militares egípcios a bordo.
Eles eram oficiais "importantes", afirmou Sameh. "Desta forma, eles podiam minar nossa segurança nacional sem terem disparado um único tiro", acrescentou.
O Pentágono tem dito que os oficiais, a maioria deles de médio ou baixo escalão, estavam nos EUA participando de diferentes treinamentos e missões comerciais.
A de Sameh é apenas uma das diversas teorias que envolvem Israel na queda do avião. Outras falam de produtos químicos que incapacitaram a tripulação. Muitos preferem acreditar em explosivos, provavelmente colocados sob a cadeira do piloto.
Os Estados Unidos também não têm escapado da desconfiança popular. Destacando que os EUA não descartaram a possibilidade de um míssil terra-ar ter sido disparado de uma base próxima, Samir Ragab, o editor-chefe do jornal governista Egyptian Gazette, escreveu que "algumas vezes, tal disparo pode ocorrer por erro".
Ele disse que os Estados Unidos provavelmente não irão revelar os resultados da investigação da queda.
"Foram autoridades dos EUA que conduziram a inspeção e liberação dos passageiros e malas... O radar que registrou os movimentos do malfadado avião está estacionado em território dos EUA; as bases dos mísseis terra-ar, que são lançados deliberadamente ou por erro, estão localizadas em território americano", escreveu ele.
As críticas também têm alvos mais próximos, como o novo governo do primeiro-ministro Atef Obeid.
Desde que ele tomou posse em 11 de outubro, o Egito foi abalado por um terremoto, Cairo tem estado envolvido por uma espessa neblina e quatro estudantes foram mortas quando um muro caiu na escola delas, lembrou num artigo o jornal de oposição al-Arabi.
"O governo da má sorte", era o título do artigo.

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