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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 05 (AE) - O pai do estudante Mateus da Costa Meira, Deolino Vanderley Meira disse que não julga o filho pelo crime cometido na noite da última quarta-feira. Ao lado do advogado, Eduardo Pizarro Canerlós, que falou em nome de Deolino
foi relatado o encontro que os dois tiveram à tarde. Deolino não respondeu nenhuma pergunta dos jornalistas, apesar das inúmeras tentativas, ficou de cabeça baixa, com as mãos cruzadas sobre as pernas.
Segundo o advogado, a família admite que o estudante sofre de problemas psiquiátricos desde a infância e é submetido a tratamentos desde a adolescência. No final de setembro Meira pediu pela primeira vez aos pais viessem de Salvador para socorrê-lo. Até então, todas as tentativas de aproximação dos pais com o filho eram repelidas. O uso de drogas fez com que Meira pedisse a ajuda dos pais. Deolino ficou em São Paulo por mais de 30 dias, acompanhando o tratamento do filho.
Voltou para casa quando acreditou que ele estava melhor. Na ocasião, Deolindo combinou com o médico psiquiatra que tratava de Meira, que voltaria a São Paulo entre 10 a 15 dias para acompanhar o tratamento do filho. Mas o crime ocorreu menos de oito dias após a sua partida de São Paulo.
Ao ser cobrado pelos jornalistas sobre uma permanência mais longa em São Paulo, o que poderia ter evitado o crime, Carnelós disse que Deolino vive do seu trabalho e não poderia se ausentar por mais tempo de Salvador. O advogado também esclareceu que a mãe de Mateus sofre de uma enfermidade grave, o que justificaria a volta à Salvador e também a sua ausência atual em São Paulo. "A família jamais imaginou que esses problemas (psiquiátricos) pudessem deságuar em fatos tão graves", afirmou o advogado, explicando que a família de Meira não se opunha à sua permanência em São Paulo já que ele era um adulto e entrou em uma faculdade de medicina das mais disputada do País. "É um sentimento humano que os pais apostassem na melhora do filho", disse o advogado.
Desde que mudou para São Paulo, os pais arcavam com as despesas de manutenção do filho e enviavam uma mesada semanal à Meira. Ao ser indagado se nos últimos tempos, ele teria pedido mais dinheiro à família, que poderia ser usado para o consumo de drogas, Carnelós disse desconhecer o assunto. O carro encontrado com o traficante Marcos Paulo de Almeida dos Santos, acusado de ter vendido a submetralhadora a Mateus, é de propriedade de Deolino Vanderley Meira.
O advogado informou que Meira mantinha um relacionamento conflituoso com os pais "por não aceitar ponderações da família".Ainda, segundo Carnelós, o estudante tinha uma dificuldade extrema de relacionamento e vivia isolado num mundo próprio. O advogado não confirmou se há histórico psiquiátrico na família. Ele informou que o estudante tem apenas uma irmã.
Carnelós não soube informar quanto tempo Deolino permanecerá em São Paulo, mas disse que será o tempo necessário para resolver uma série de problemas, sem explicar quais seriam eles. O pai pretende ver o filho mais vezes, embora não imagine que possa fazer isso diariamente. Extra-oficialmente, policiais disseram que o encontro entre os dois foi frio, sem emoção. Carnelós, que não acompanhou o encontro, disse, que quando conversou com Meira, achou que ele ainda está "bastante passado".
Antes de falar de Meira e do encontro dele com o pai, Carnelós disse que Deolino não falaria com a imprensa por não ter condições psicológicas, o que não significava um desrespeito pela dor das pessoas mortas pelo filho. Ele expressou publicamente um sentimento de extrema consternação pelos fatos ocorridos, lamentando nada poder fazer para diminuir a dor das pessoas feridas e das famílias dos mortos.
Deolino deixou o 96.o Distrito Policial por volta das 21h, em um carro da Polícia.


