São Paulo, 05 (AE) - As piadas do besteirol adolescente "American Pie" não foram suficientes para animar ninguém. Hoje foi reaberta a sala 5 do cinema do MorumbiShopping, fechada depois que o estudante de medicina Mateus da Costa Meira disparou contra a platéia. Na primeira sessão, às 15h30, o máximo que se ouvia eram risinhos nervosos dos cinco únicos espectadores.
Os dois rapazes e duas moças - mais um senhor de meia-idade - procuraram sentar-se nos fundos. Quase no fim da fita, duas mulheres abriram a cortina e entraram na sala pelo lado esquerdo - como Meira fez antes de abrir fogo - e começaram a olhar fixamente para a tela. Até darem conta de que eram funcionárias do cinema, houve uma certa tensão. "Foi para ver se o filme já estava acabando", comentou no fim da sessão uma delas, a que recebe os ingressos.
Mas este não foi o único sobressalto. Ainda houve um rapaz, também funcionário do cinema, que entrou pelo lado direito da tela e saiu correndo em direção à cabine de projeção. A pequena platéia seguiu seus passos. Quando a fita acabou, ninguém ficou esperando para ver os créditos ou as luzes se acenderem. Saíram todos em silêncio e a passos largos. Enquanto isso, uma voz ordenava no saguão: ninguém entra com câmera ou microfone; era preciso esperar o Mário (ou Márcio) chegar.
"Vocês estão revistando as pessoas antes de entrar?", perguntava uma garota, acompanhada de dois rapazes e segurando o ingresso para a sessão das 17 horas. "Vamos entrar, vamos entrar", incentivava um deles. "Não, vamos esperar; vai que tem espírito!", retrucava outro. Os três se recusavam a ser os primeiros a entrar e foram ficando pelo saguão.
Mal o grupo virava as costas e a moça que recebia os ingressos não se continha. "Revistar como?", indignava-se. "Daqui a pouco vão falar que a sala é mal-assombrada." Em seguida, resolveu alertar um colega de que era melhor ligar o ar-condicionado. Na primeira sessão, ponderou, estava muito calor lá dentro. Depois, concluía que as pessoas têm curiosidade de ver onde aconteceu o crime, que poderia ser em qualquer outro lugar, etc, etc, para em seguida emendar: "Se para eles é ruim, imagina para mim, que trabalho aqui."
Não demorou muito para os adolescentes finalmente resolverem entrar. "Que viagem; só vai ter a gente", comentou um deles. Depois de acomodados nas poltronas, quase nos fundos, a estudante Stella Lobo, de 16 anos, a garota que perguntou se não iriam revistá-la, disse que achou a segurança frouxa. "Achei que pelo menos iam dar uma olhada na minha bolsa."
Seu irmão, Gustavo Lobo, de 17, garantiu que só entrou na sala 5 por causa do horário. A fita estava sendo exibida em outras duas salas do MorumbiShopping, mas as sessões só começariam às 17h30 e às 18 horas e ele tinha de ir para a escola. Quando as luzes se apagaram e a tela começou a exibir as normas de segurança de praxe, Stella foi irônica: "Segurança, que segurança?"
Logo entrava outro grupo de estudantes. Foram todos para a última fila. Luiz Roberto Costa Russo, de 17 anos, deixou claro o que o levou à sala 5: a curiosidade. "Vim só para ver se tinha manchas de sangue nas cadeiras", dizia, enquanto mostrava respingos escuros numa poltrona da frente.

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