Brasília, 05 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje, por intermédio de seu porta-voz Georges Lamazire, que o crime ocorrido no MorumbiShopping na noite de quarta-feira demonstra a necessidade de aprovação do projeto que proíbe a comercialização de armas de fogo no País, já enviado pelo governo ao Congresso. "O presidente reitera o empenho total do governo neste projeto", comentou Lamazire. "O fato ocorrido em São Paulo assim como chacinas que têm ocorrido e outros tipos de manifestações da violência, demonstram a necessidade de um projeto desta natureza", disse o presidente, segundo o porta-voz.
Fernando Henrique comentou que o crime praticado pelo estudante de medicina, Mateus Costa Meira, é um problema da sociedade contemporânea e ocorre até mesmo em países desenvolvidos. "É um exemplo visível de problema da sociedade contemporânea, já registrado em outros países, inclusive os mais desenvolvidos", disse o presidente. "É natural que a sociedade brasileira fique estarrecida porque é um tipo de crime contra o qual é difícil uma defesa". Mesmo reiterando seu empenho para que o projeto do desarmamento seja aprovado pelo Congresso, o FHC evitou polemizar com o relator da proposta, Alberto Fraga (PMDB-DF), que já se manifestou publicamente contra a proibição da venda de armas.
"É natural, nesta fase preliminar, que haja pareceres contrários, opiniões divergentes", argumentou o porta-voz. "Mas o governo tem confiança que este projeto poderá seguir adiante e tem todo empenho em que ele seja aprovado", completou. O presidente cobrou da sociedade o apoio a ações do governo federal e dos governos estaduais para o combate à violência no Brasil. "O presidente considera que é necessário um movimento forte da cidadania em apoio aos esforços do governo federal e dos governos estaduais no combate à violência", disse Lamazire.
Ação - O porta-voz negou que o governo tenha "acordado" para o problema da criminalidade no Brasil em razão deste crime ocorrido esta semana, enfatizando que o governo federal tem feito "muito" na área de segurança. Ele citou três ações do governo nesta área e lembrou que existe uma "responsabilidade compartilhada" entre o governo federal e os governos estaduais na ações de segurança pública.
O porta-voz citou como exemplo de ações o projeto do desarmamento, o envio de emenda constitucional sobre segurança pública e a criação da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Segundo Lamazire, a criação da Senad visou "justamente dar uma centralidade ao tema do combate às drogas na política governamental brasileira e tem feito muito nesta área".

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