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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 05 (AE) - O promotor Norton Geraldo Rodrigues da Silva, do 1.º Tribunal do Júri, da capital, disse hoje que vai responsabilizar o estudante de medicina Mateus da Costa Meira, de 24 anos, por vários crimes, que vão da premeditação ao homicídio doloso qualificado e da tentativa de assassinato ao porte ilegal de arma contrabandeada. Para Silva, "até prova em contrário", Meira é uma pessoal normal. Por isso, será responsabilizado pelos "crimes bárbaros que praticou".
Na noite de quarta-feira, com uma submetralhadora de fabricação norte-americana, Meira deu um tiro no espelho do banheiro do Cine 5 do MorumbiShopping. Depois, entrou na sala de projeção, onde estava sendo exibido o filme Clube da Luta, e passou a atirar na platéia. O estudante descarregou o pente da submetralhadora, com capacidade para 40 tiros. Matou três pessoas e feriu cinco.
O promotor descartou, para o momento, qualquer pedido de exame de sanidade mental de Meira. "O Ministério Público não tem pretensão de solicitar o exame."
Imputável - Silva afirmou que vai agir como se "Mateus fosse imputável (capaz de responder pelos seus atos)". Designado pela Procuradoria Geral de Justiça para acompanhar o trabalho da polícia até a conclusão do inquérito, ele esteve hoje na Delegacia Seccional Sul.
Indagado se concordaria com um possível pedido de exame de sanidade por parte da defesa, o promotor disse que "é cedo para avaliar a capacidade de Mateus". "Se o juiz concordar, somente os exames é que vão dizer, mas não será o Ministério Público que tomará esta providência", reafirmou.
Silva leu o inquérito com as declarações de Meira, dos policiais que o prenderam, dos seguranças do shopping e das pessoas que estavam no cinema. "Tudo indica ter havido uma premeditação por parte de Mateus, pois acredito que ele tinha capacidade de entender o caráter criminoso de sua conduta."
A polícia entregou a Silva uma cópia do auto de prisão em flagrante do estudante de medicina. Recebeu também o flagrante, baseado na acusação de co-autoria, lavrado contra o mecânico Marcos Paulo Almeida dos Santos, de 24 anos. Ele foi acusado por Meira de lhe ter vendido a submetralhadora, por R$ 5 mil. Silva disse ser favorável ao pedido da polícia para decretação de prisão temporária de Santos, pelo período de 30 dias.
Cinema - Depois de se inteirar das investigações da polícia, Silva foi ao MorumbiShopping, acompanhado de policiais civis. "Fui ver de perto a sala onde ocorreu a tragédia e encontrei tudo arrumado, carpete lavado e poltronas com perfurações de tiros substituídas", afirmou.
A perícia constatou que 19 poltronas apresentaram furos de tiros. Hoje a polícia localizou um projétil de calibre 9 milímetros na caixa de ar-condicionado do cine 5.


