PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Edson Luiz, Hugo Marques e Demétrio Weber 
Brasília, 05 (AE) - A Polícia Federal (PF) já tem provas de que o Super Bingão dos Importados, um dos maiores de Brasília que também atua com o nome de Tele Prêmios, não estaria distribuindo todos os prêmios aos ganhadores. O empresário José Olímpio de Queiroga, um dos sócios da empresa, segundo um depoimento colhido pela PF, montou um esquema pelo qual um "laranja", que ganha uma comissão, aparece como ganhador do prêmio e posteriormente o repassa a alguém do Bingão.
O Super Bingão dos Importados atua há vários anos em Brasília e já veiculou dezenas de propagandas na TV, com supostos ganhadores, que estão sendo chamados aos poucos pela PF. Nos fins de semana, o Super Bingão lota ginásios para distribuir supostos prêmios, entre eles carros importados, fazendas e mansões, tudo recheado com publicidade apresentada por atores de TV. "Este eu garanto", dizem os atores. A população de Brasília, à procura de cartelas, lota os balcões que o Super Bingão monta nos pontos de maior circulação de pessoas.
O esquema, conforme a PF, começou a ruir a partir de uma suposta premiação, um carro Mercedes-Benz SLK, que custa mais de US$ 70 mil. Queiroga, segundo depoimento de um laranja que ganhou o carro, teria pago uma quantia para ele se fazer passar por ganhador. O veículo foi transferido para o empresário José Raimundo Aguiar Fonseca, de Aracaju (SE), dono de três lojas de veículos importados, e amigo de Queiroga, segundo a PF apurou. O laranja teria comprado as cartelas "carimbadas", que seriam premiadas.
De acordo com os investigadores, os supostos ganhadores recebem quantias "irrisórias", se comparadas aos valores dos prêmios. Os ganhadores receberiam somas entre R$ 1 mil e R$ 2 mil. Os prêmios voltam sempre para os distribuidores ou seus amigos. A Polícia Federal já levantou fortes indícios de que o Bingão também não distribuiu as várias fazendas e mansões que diz ter dado aos premiados. A PF já reuniu provas de que outros supostos ganhadores não ficaram muitas horas com os prêmios, sempre os repassando a outras pessoas.
Os investigadores estão levantando informações também sobre a empresa Mercantil Publicidade e Eventos Ltda., que seria a antiga dona do Bingão. Também está sendo investigado o argentino Ireneo Andrez Barbosa, que fechou um contrato de compra de quatro veículos Mercedes-Benz. No contrato, José Olímpio Queiroga aparece como "fiador". Os carros, que seriam para entrega em prêmios, foram "emprestados" para uma "exposição" antes de ser entregues ao argentino.
A reportagem tentou ouvir os envolvidos na fraude do Bingão em Brasília. O empresário José Raimundo Aguiar Fonseca ouviu todas as acusações que pesam contra ele, mas preferiu não comentar. "Te ligo daqui a pouco", disse o empresário ao repórter, mas acabou não retornando o telefonema. Queiroga só tem um número em seu nome, que está ligado no fax, e não foi encontrado em outro local.


