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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Sandra Sato 
Brasília, 05 (AE) - Está praticamente pronta a instrução normativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que obrigará fabricantes de liquidificadores a usar selo-ruído na embalagem, a partir de março de 2000. Esse dispositivo alertará o consumidor sobre a intensidade de barulho emitido pelo aparelho em funcionamento, segundo a coordenadora do Programa Silêncio do Ibama, Silvânia Medeiros Gonsalves. "Queremos que os fabricantes respeitem o consumidor, dando-lhe mais conforto dentro de casa", explica Silvânia.
Para usarem o selo em seus produtos, no entanto, os empresários deverão obter a declaração de potência sonora do equipamento fornecida por um laboratório credenciado pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro). Inicialmente, diz Silvânia, o selo terá apenas valor demonstrativo, com maior informação à sociedade. Mas, no futuro, ele poderá conter os limites máximos permitidos para emissão do barulho e suportáveis pelo ser humano por longo período de exposição. Como já existe para os veículos. Segundo Silvânia, o carro nacional somente sai da fábrica se estiver produzindo até 77 decibéis de ruído; as motos, 80; caminhões e ônibus, 84. Conforto - A coordenadora do Programa Silêncio adverte que o conforto acústico é importante para pessoas que trabalham durante oito horas seguidas exposta ao barulho de um eletrodoméstico. É o caso de funcionários de bares, lanchonetes e restaurantes. De acordo com ela, o ruído pode gerar distúrbios no sono e na saúde em geral do cidadão. Dependendo sempre do tempo de exposição a que é submetida, a pessoa passa por estresse degradativo do organismo a partir de 65 decibéis, diz a cooordenadora do programa.
Depois de regulamentado o uso do selo para liquidificadores, o Ibama quer fixar a exigência também para os secadores de cabelo, aspiradores de pó, equipamentos de ar condicionado, máquinas de lavar e secadoras de roupa. Silvânia explica que as indústrias precisam adaptar-se, por isso o dispositivo deve ser adotado gradativamente. Os tratores agrícolas e maquinários pesados também deverão passar por um controle acústico. "Quando um País adota mecanismos para diminuir a poluição sonora, automaticamente incentiva a fabricação de produtos mais adequados aos padrões humanos de conforto e bem-estar", afirma.
Segundo Silvânia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a poluição sonora como a terceira maior poluição ambiental.


