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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 05 (AE) - Depois de seis anos na prisão, Paula Nogueira de Almeida, ex-Thomaz, condenada por participação no assassinato da atriz Daniella Perez, saiu hoje da cadeia em liberdade condicional. A atriz Daniella Perez foi morta em 28 de dezembro de 1992. O ex-marido de Paula, o ator Guilherme de Pádua, também foi condenado a 19 anos de prisão pela morte da atriz. Na quarta-feira, o juiz Cezar Agusto Rodrigues Costa, da Vara de Execuções Penais (VEP), considerando que Paula já havia cumprido um terço da pena e tinha condições sociais, psicológicas e psiquiátricas satisfatórias para voltar à vida em sociedade, concedeu o livramento condicional.
Outro fator a favor de Paula é não ter condições financeiras de atender à exigência da família de Daniella, que havia entrado com pedido de ressarcimento por danos morais. De acordo com a lei, Paulta terá de se apresentar à Vara de Execuções Penais Justiça a cada três meses, comprovando estar trabalhando ou em dificuldade para conseguir emprego. Terá ainda que se recolher a sua casa diariamente a partir das 23 horas, onde deverá permanecer durante a noite. Não poderá frequentar lugares considerados "passíveis de reprovação social", como aqueles em que haja consumo de bebidas alcóolicas, por exemplo.
Paula poderia ter sido solta há mais tempo, uma vez que a decisão do juiz saiu no dia 29 de outubro, mas só chegou ao cartório na quarta-feira, por causa do feriado do Dia de Finados. O documento necessário à sua libertação demorou a chegar ao Instituto Romeiro Neto, em Niterói, no Grande Rio, de onde ela saiu no início da noite de hoje, acompanhada por familiares. O Departamento de Sistema Penitenciário (Desipe) não soube informar o motivo do atraso.
Paula foi condenada pelo II Tribunal do Júri, em maio de 1997, a 18 anos e seis meses de reclusão, em regime fechado. Em outubro do ano passado, ela obteve progressão para regime semi-aberto e foi transferida para o Instituto Romeiro Neto. Por decisão unânime, Paula conseguiu redução de pena para 15 anos em dezembro de 1998, por ser menor de idade quando cometeu o crime.
Assim como aconteceu quando da soltura de Guilherme de Pádua, também condenado pelo crime, a novelista Glória Perez, mãe de Daniella, ficou revoltada. Glória "espera que a sociedade imponha a pena que a Justiça não impôs". "Ela vai ter sempre a etiqueta de assassina na testa, por ter matado uma menina que nem conhecia", disse. "É mais uma criminosa nas ruas, e, portanto, mais uma agressão a todos nós e ao Brasil", afirmou a novelista. Pádua - Guilherme de Pádua foi solto 20 dias antes de Paula. Ele obteve o benefício de cumprir o restante de sua pena em Belo Horizonte, onde mora sua família. Pádua pretende se casar com uma mulher que conheceu enquanto ainda estava preso.


