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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Kátia Brasil, especial para a AE 
Manaus, 05 (AE) - Jorgemar Nunes de Lima Júnior, de 1 ano e sete meses, morreu hoje , por volta das 10h (hora local), após ser resgatado pelos bombeiros de um poço de quase 13 metros de profundidade, no bairro Monte Pascoal, na zona norte de Manaus. Ele ficou 18 horas preso no poço. Dezesseis homens do Corpo de Bombeiros e 40 voluntários participaram da operação de resgate. Um poço paralelo de 13 metros foi cavado ao lado do buraco onde estava o garoto e aberto um túnel de três metros.
O menino estava num espaço de 26 centímetros de diâmetro. Para chegar a Josemar o soldado David Mecena e o sargento João Vieira da Silva abriram outra galeria de 70 centímetros de diâmetro, cavando com as mãos e quatro colheres de sopa. Às 9 horas Mecena tocou nas mãos e na cabeça do menino. Às 9h45 Jorgemar Nunes de Lima Júnior, já deitado numa maca, foi retirado pelo soldado Albino Mendes. Cerca de 3 mil pessoas aplaudiram a operação de resgate .
Jorgemar teve uma parada cardiorespiratória e morreu na ambulância a caminho do Pronto Socorro 28 de Agosto, dentro de uma ambulância, segundo atestou a médica Neucia Tavares. No local do acidente, na rua Uirapuru, haviam uma equipe de socorro
mas inexistia uma unidade de emergência. "Ninguém teve culpa"
disse a tia do garoto, Elaine Nunes, de 30 anos. Evangélica, ela acredita que a morte da criança foi obra de Deus.
O poço aberto na frente da pequena casa de madeira foi cavado por quatro operários contratos pelo operador de balsas, Jorgemar Nunes de Lima, pai do menino, para que a família, de cinco pessoas (Júnior, Mayara, de 12 anos, e Amanda, de 7), tivesse água. O bairro Monte Pascoal não tem água nem saneamento básico.
Acidente - Jorgemar Júnior estava brincando no quintal, por volta das 16h de ontem (04), quando ciu no poço. Os operários haviam saído para lanchar e deixaram o poço aberto. "Eu estava lavando a louça quando ouvi o grito dele. Corri, mas foi tarde, ele já estava dentro do buraco", disse a mãe, Joici Maria do Carmo Aparecido, de 32 anos. Os bombeiros chegaram ao local do acidente meia hora após a queda do menino no buraco, disse o capitão Roberto Rocha, do Batalhão Especial de Resgates do Corpo de Bombeiros de Manaus. Durante a operação as Igrejas Católicas e Evangélicas do bairro fizeram vigília.
As dificuldades para o resgate foram muitas. A corporação só dispunha de uma pequena retroescavadeira e escadas. "O menino gritava bastante, estava com água até a altura do peito e colocamos oxigênio dentro do buraco", afirmou o capitão. "Nas primeiras horas do dia ouvimos ele gritar e foi uma emoção", disse, reconhecendo que a corporação está desaparelhada para uma operação deste tipo. "Se não fosse a ajuda dos voluntários, das instituições e, usamos até colheres para cavar o túnel, não salvaríamos a criança", disse Rocha, que no momento da entrevista não sabia da morte de Júnior
Jorgemar Nunes Lima, de 29 anos, pai de Júnior contou que pagou R$ 360,00 pela obra do poço artesiano. E não quis culpar os quatro operários, que saíram da obra deixando o buraco aberto, pelo acidente. "Não tem água no bairro e mandei abrir o poço", disse Jorgemar, afirmando que os operários ficaram assustados com o acidente e foram embora. Jorgemar não sabe quem são os operários. "Eles apareceram aqui e pediram o serviço".
No Instituto Médico Legal Jorgemar contou como fo menino estava a caminho do Pronto-Socorro 28 de Agosto. "Júnior estava enroladinho na maca e seu corpo, principalmente os pés, muito gelado. Eu tinha muita esperança. Mas a vida é assim e vamos agora seguir em frente", disse .


