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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 05 (AE) - O estudante Mateus da Costa Meira incomodou durante três meses o provedor de Internet Magiclink, da capital baiana. Ele enviava mensagens falsas, com vírus e imagens pornográficas para os computadores da empresa e de seus clientes. Os técnicos da Magiclink só conseguiram barrar a ação de Mateus depois de localizaram seu pai, Deolino Meira, e avisá-lo. O fato ocorreu há dois anos e meio, segundo o diretor técnico da Magiclink, Izamar Villas Boas Pirrelli Maia.
Associado ao provedor paulista Teonet, Meira começou a mandar os e-mails para a Magiclink em janeiro de 97. Eram do tipo que os técnicos em informática chamam de "cavalo de tróia", mensagens com títulos chamativos que infectam os computadores com vírus ao serem abertas pelo usuário. "Na época
o antivírus do computador do nosso suporte técnico deu o alarme", lembra Maia, explicando que os funcionários da empresa precisaram ligar para todos os clientes avisando sobre o perigo. "Um técnico conseguiu descobrir a origem dos e-mails e avisou ao provedor Teonet, que cancelou a conta de Meira".
Quando soube, o estudante ficou transtornado. Para se vingar, copiou a home page do técnico e a transformou em uma página de site gay, com direito a várias fotos pornográficas. Em seguida, cadastrou-a em todos os sites de busca da Internet. Além disso, o estudant,e já associado a outro provedor, continuou a enviar as mensagens "envenenadas" para a Magiclink.
"Tivemos grandes dificuldades pois, na época, os sistemas de proteção eram pouco conhecidos e não havia órgão responsável pela punição desse tipo de delito", contou Maia. Depois de descobrir e instalar bloqueadores, Maia conseguiu o telefone de Meira em São Paulo. "Liguei para ele na véspera do carnaval de 97 e ameaçei procurar a polícia." Não adiantou. Já em Salvador, onde passava as férias com a família, Meira continuou enviando as mensagens, cadastrado em outro provedor, o Servnet, de Salvador. Os técnicos conseguiram localizar a casa da família de Meira e Maia falou com o pai dele, Deolino Meira. "Expliquei o que seu filho estava fazendo e pedi que ele visitasse nossa empresa para comprovar as informações; ele nunca apareceu", disse. No entanto, a partir desse contato, o estudante de medicina não incomodou mais.
Maia levou um susto ao saber que o estudante matou três pessoas e feriu cinco, no MorumbiShopping. "Acho que foi uma tremenda negligência do senhor Deolino, primeiro não ter tomado nenhuma providência para tratar o filho naquela época e depois deixá-lo sozinho numa metrópole como São Paulo", disse. Depois dos invasões eletrônicas de Meira, a Magiclink ajudou a criar entre os provedores nacionais de Internet um Movimento Nacional Anti-Envio de Correio Eletrônico Não Autorizado para proteger os usuários.


