PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Vânia Cristino e Soraya de Alencar 
Brasília, 05 (AE) - As taxas de juros prefixadas cobradas pelos bancos no cheque especial variam 698,07%. Enquanto a taxa mais baixa fica em 1,56% e é cobrada pelo Banco Daycoval, a mais alta chega a 12,45%, no Banco Bandeirantes. Os dados constam da lista em ordem crescente que foi divulgada hoje pelo Banco Central na Internet, com base em dados informados pelos próprios bancos.
As informações do BC referem-se a um total de 82 bancos, incluindo os estrangeiros instalados no Brasil. A divulgação é uma medida que faz parte do pacote para redução das taxas de juros lançado no último dia 14 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O objetivo do pacote é aproximar as taxas cobradas pelos bancos daquela praticada pelo Banco Central nas operações com o mercado e que hoje está em 19% ao ano. O que corresponde a 1,46% ao mês.
De acordo com assessores, com a divulgação das taxas o BC está dando aos clientes a oportunidade de pesquisar os dados do banco que deseja trabalhar e, ao mesmo tempo, promover uma maior concorrência entre as instituições. Além do cheque especial, estão disponíveis para os clientes os juros cobrados no crédito pessoal, capital de giro, desconto de duplicatas, de promissórias e outras operações de crédito para pessoas físicas e jurídicas.
Dentre os maiores bancos, o Safra lidera o ranking das taxas mais altas, cobrando juros de 10,90% ao mês. Em seguida está o Banco de Crédito Nacional (BCN) que pertence ao Bradesco. A taxa do cheque especial naquela instituição é de 0,51% ao dia e chega a 10,87% ao mês.
No próprio Bradesco, o cliente paga juros de 10,76% ao mês. No Real, os juros mensais são de 10%, enquanto no Unibanco ficam em 9,36% e no Itaú em 9,29% ao mês.
Com a divulgação, que será diária, o BC acredita que o cliente terá uma participação ativa na redução das taxas de juros, na medida em que passar a exigir do seu banco taxas menores e um serviço melhor. Na verdade, acreditam os técnicos, o cliente terá munição para argumentar com a instituição tentando baixar as taxas.
Dentre os estrangeiros, o banco espanhol Santander tem a taxa de cheque especial mais alta, cobrando 10,86%. No Banco de La República Oriental Uruguay, o cliente que entrar no cheque especial vai pagar juros de 10,48% ao mês. No Citibank, a taxa é de 10,14% e no HSBC de 9,98%. O Banco de La Nácion Argentina é o 60º da lista com taxa mensal de 9,45% e nos 54º e 52° lugares estão, respectivamente, o BankBoston e o Bilbao Vizcaya que cobram 9,10% e 8,90%.
A taxa que a Nossa Caixa, Nosso Banco cobra ao mês pelo cheque especial de seus clientes, de 5,39%, é a mais baixa entre as instituições públicas. No Banespa a taxa cobrada é de 7,79%. A Nossa Caixa é o 16º banco da lista das instituições financeiras classificadas por ordem crescente de taxa, enquanto que o Banespa é o 39º. A taxa do cheque especial no Banco do Brasil é de 6,65%, da Caixa Econômica Federal, 7,79%.
O Bandeirantes, que é o último da lista com taxas de cheque especial, cobrando, portanto, a taxa mais alta, foi comprado pelo banco português Caixa Geral de Depósitos e seu antigo dono, Gilberto Faria, foi denunciado pelo BC ao Ministério Público por gestão fraudulenta e temerária de instituição financeira. Uma das práticas do Bandeirantes no passado era justamente cobrar tarifas não espeficicadas de seus clientes.
Crédito Pessoal - Nas operações de crédito pessoal para pessoas físicas, a menor taxa prefixada, de 1,11% ao mês, é cobrada pelo Banco ABC Brasil S.A. A mais alta, de 17,11% ao mês
é a taxa praticada pela última instituição de uma lista de 100 bancos - o Banco Cacique. Entre uma e outra taxa estão aquelas cobradas pelos bancos com maior número de clientes, como o Banco do Brasil, com 3,89%, a Caixa Econômica Federal, com 4,22%, o Real, com 4,43%, o Unibanco, que cobra de seus clientes de 5,62% ao mês, e o Bradesco, cuja taxa para o empréstimo pessoal é de 8 28%.
Com relação a capital de giro para as empresas, de um ranking de 78 instituições que prestaram informações ao Banco Central, a menor taxa é a praticada pelo Banco Agroinvest, que cobra 1,26% ao mês de seus clientes pessoas jurídicas. A maior taxa, de 9,76%, é a cobrada pelo Banco do Estado de Goiás. Nesta modalidade de empréstimo, com taxas prefixadas, o Banco Itaú está em quarto lugar, cobrando juros de 1,71% ao mês. O banco Real cobra 2,76% ao mês, o Banco do Brasil, 3,05%, e a Caixa Econômica Federal, classificada em 67º lugar na lista, tem uma taxa de 5,17%.


