Londres, 05 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, rebateu hoje, em Londres, as análises de que o represamento do IPA vá se refletir no IPC em 2000. Segundo ele, há uma "percepção errada" de que o índice de preços ao consumidor segue mecanicamente o índice de preços no atacado. Segundo ele, o IPC em 99 já "capturou bem" o overshooting da taxa cambial. Malan previu que a inflação este ano deve ficar um pouco abaixo da meta de 8%. Ele participou hoje do seminário "Investing in Brazil", realizado no centro de conferências do Departamento de Comércio e Indústria do governo britânico.
Malan comentou ainda sobre as possibilidades de recuperação do real nos próximos meses. "No que diz respeito aos fundamentos, existem mais argumentos para você ter uma apreciação do que depreciação do real, quando se olha adequadamente os próximos meses", explicou ele. Malan disse que
segundo projeções do mercado, deve haver um superávit da balança comercial de US$ 4 bilhões em 2000. Ele afirmou que "não existe país no mundo que tenha sofrido uma desvalorização cambial grande que não tenha tido efeito de estimular as exportações". Para o ministro é possível o País crescer com inflação sob controle, pela experiência de países mais desenvolvidos.
Sobre a balança comercial neste ano, Malan disse que o resultado deverá apresentar um déficit de cerca de US$ 1 bilhão, que, segundo ele, significará uma queda de cerca de US$ 5,5 bilhões em relação ao déficit de 98, de US$ 6,6 bilhões. O ministro previu também que o déficit em conta corrente será US$ 9 bilhões menor que o do ano passado e mais de 100% será financiado por investimento direto. Malan informou que as amortizações do balanço de pagamentos agendadas para 2000 serão entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões abaixo dos números deste ano. Segundo expectativa do ministro, o País não terá problemas com o balanço de pagamentos nos próximos três anos a não ser na hipótese de grandes crises internacionais.
Questionado pelo público participante do seminário, Malan também comentou declarações atribuídas ao presidente do Banco Central, Armínio Fraga, sobre conversibilidade. O ministro explicou que o governo está caminhando em direção a retirar restrições para pagamentos de conta corrente, seguindo artigo oito do FMI. Mas disse que isto não inclui pagamentos na conta de capital. O ministro voltou a falar sobre a possibilidade da adoção de moeda única no Mercosul. Segundo ele, esta é uma possibilidade para "algum momento do século 21", que disse esperar não ser tão distante. Assegurou, porém, que ainda há muito trabaho a ser feito.
Malan também demonstrou apoio à sugestão feita na conferência sobre investimentos no Brasil, pelo presidente do HSBC Brasil, Michael Geoghegan, que defende mudanças na carga horária no sistema. Malan disse que "faz sentido que os bancos e os sindicatos dos bancários possam discutir qual é o melhor número de horas para o trabalho, sem interferência de uma lei". O presidente do HSBC do Brasil, Michael Geoghegan, pediu, durante o evento, o fim do limite de seis horas de trabalho para os bancários. Ele disse que é necessário acabar com essa regra para que as taxas de juros possam baixar. Segundo ele, o custo com folha de pagamento é o maior da indústria bancária no mundo todo e a regra das seis horas de trabalho já custou R$ 300 milhões ao grupo desde que se instalou no Brasil.
Geoghegan disse aos jornalistas, após participar do seminário, que outro obstáculo para a queda das taxas de juros é a grande quantidade de assaltos que ocorrem no Brasil na comparação com o resto dos países em que o grupo atua: ásia, Europa, Américas, áfrica e Oriente Médio. Segundo ele, as agências no Brasil foram assaltadas 146 vezes este ano, até hoje
o que levou a um gasto de mais de R$ 40 milhões em segurança, aumentando os custos dos bancos e impedindo o recuo dos juros.

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