São Paulo, 05 (AE) - A General Motors vai investir anualmente US$ 400 milhões no Mercosul. A maior parte destes recursos vai ser gasta em novos produtos. A informação é do presidente da General Motors do Brasil, Frederick Henderson. "Nos últimos cinco anos direcionamos os investimentos na ampliação da capacidade de produção; mas a partir de agora 90% do dinheiro será destinado a novos produtos", disse durante inauguração de nova fábrica da montadora, em Mogi das Cruzes.
No final desta década, a General Motors concentrou os investimentos na ampliação das fábricas de São Caetano do Sul e São José dos Campos, no Brasil, e em Rosário, na Argentina. Vai terminar o ciclo, no próximo ano, com a inauguração da planta de Gravataí, no Rio Grande do Sul, uma das mais modernas da companhia, planejada para a produção de um carro totalmente novo
um mini compacto cujo projeto leva o nome de Blue Macaw.
Agora, a empresa decidiu fechar uma fábrica na Argentina
em Córdoba, onde produz a picape Silverado. A direção da montadora deve decidir nos próximos dois meses se a produção da Silverado permanecerá na Argentina ou se será transferida para o Brasil. A empresa já interrompeu a produção em Córdoba e estará transferindo os 220 funcionários para Rosário, também na Argentina, onde é produzido o Corsa. Segundo Henderson, a fábrica agora será limpa e entregue de volta à Renault, que a havia alugado.
Nova fábrica - A General Motors inaugurou hoje, em Mogi das Cruzes, na região leste da Grande São Paulo, a primeira fábrica brasileira voltada para a produção de peças de carros que saíram de linha. Foram investidos US$ 150 milhões para o objetivo de fabricar 2,3 milhões de componentes por ano. O projeto visa a liberar as fábricas de veículos novos da produção de peças de carros descontinuados. "Assim não temos que parar nossas linhas de montagem a todo instante para fazer componentes dos veículos que não produzimos mais", disse Henderson.
Segundo o vice-presidente da empresa, José Carlos Pinheiro Neto, hoje rodam no Brasil 850 mil veículos da linha Monza, que saiu do mercado. A nova fábrica, instalada em 46 mil metros quadrados de área coberta, produzirá 637 peças diferentes para Opala, Chevette, Kadett, Ipanema, Omega, Veraneio e picape D-20, além do próprio Monza.
Instalada a cerca de 40 quilômetros das outras fábricas da GM (São Caetano do Sul e São José dos Campos), a nova planta abrirá 950 empregos. O investimento não recebeu incentivos fiscais. O governo estadual e o municipal ajudaram com obras de infra-estrutura. A fábrica de componentes que saíram de linha segue o modelo que a General Motors já tem nos Estados Unidos e a Toyota e Honda no Japão. Segundo Henderson, essa produção não entra em confronto com o programa de renovação da frota, que visa a tirar os carros velhos das ruas. Segundo a GM, nem todos os veículos velhos que rodam no País são sucatas.
álcool e Zafira - A General Motors lançará seu primeiro carro a álcool até o final deste mês. O Corsa será produzido com um motor movido com esse combustível este ano e, para o próximo ano, a empresa vai lançar o Astra a álcool, segundo o presidente da montadora. Henderson disse não saber se o aumento do preço do álcool pode atrapalhar a tentativa de estímulo ao consumo deste tipo de veículo. "Mas o custo-benefício vai diminuir", destacou.
A GM também está se preparando para fazer investimentos na linha de montagem do Astra para poder lançar uma nova versão do modelo, a minivan Zafira. O veículo é feito sobre a mesma plataforma do Astra e tem capacidade para sete passageiros. Já é produzido nos Estados Unidos e na ásia. A montadora pretendia importá-lo, mas decidiu pela fabricação depois da alta do dólar.
A direção da montadora não revela a data do lançamento. Mas fornecedores estão se preparando para atender encomendas do modelo antes do final do próximo ano. Segundo o diretor de marketing da General Motors, Brent Dewar, o mercado de minivans no Brasil deve crescer mais de 100% nos próximos dois anos, chegando a pelo menos 70 mil unidades por ano.

mockup