Brasília, 05 (AE) - O governo brasileiro captou hoje mais 200 milhões de euros. A emissão foi adicional à que havia sido feita no final do mês passado, quando o Brasil já havia captado 500 milhões de euros em papéis com prazo de sete anos. No total, portanto, a emissão chegou a 700 milhões de euros. Assessores do Banco Central explicaram que a reabertura da operação foi feita para aproveitar as melhores condições oferecidas pelo mercado europeu aos papéis brasileiros. Lançada no último dia 28, a operação, que continuou hoje, começou com a oferta de papéis correspondentes a 300 milhões de euros.
No mesmo dia, entretanto, o governo decidiu reabrir a emissão para atender à demanda dos investidores internacionais. Na ocasião, foram vendidos mais 200 milhões de euros. Um total de 65% destes papéis foram adquiridos por investidores institucionais, enquanto os 35% restantes foram vendidos no varejo. A parcela dos títulos vendidos hoje foram colocados a um preço correspondente a 100,8% do valor de face. Ou seja, com um pequeno ágio.
Isso por já ter passado alguns dias da operação original quando os investidores adquiriram o mesmo título pagando 99,5% do valor do papel. O rendimento oferecido aos compradores de hoje é de 11,81% ao ano, ante os 12,11% da emissão original. A diferença, segundo explicações de assessores do Banco Central, sempre existirá quando houver reabertura de emissões. É uma forma de privilegiar ao investidor que demonstrou interesse primeiro, afirmou um assessor.
Com a taxa de hoje, o papel emitido está pagando um spread de 6,82% acima da taxa do título alemão com o mesmo prazo. Ainda de acordo com o BC, ao mesmo tempo em que aproveitou as melhores condições e o custo mais baixo, a reabertura da emissão buscou proporcionar maior liquidez ao título, reforçando sua qualidade como referencial para o risco Brasil. A operação foi liderada pelo Credit Suisse First Boston e pelo Deutsche Bank.
Este ano o governo já fez cinco emissões sendo duas no mercado de dólar e outras três no de euros. Das emissões em dólar, um delas foi feitas com dois objetivos: captação e troca de papéis. A última, também feita no mês passado, foi apenas para troca. O objetivo do governo é substituir os "bradies", papéis que são considerados de difícil negociação, por títulos mais líquidos. Mesma sistemática que o Tesouro Nacional e o Banco Central anunciaram que será implementada na dívida interna.

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