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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 05 (AE) - A direção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) já iniciou contatos para tentar firmar com a Argentina o mesmo acordo entre governos que foi acertado com os Estados Unidos. A proposta é estabelecer cotas anuais para venda de laminados a quente, o principal produto de exportação da empresa. A CSN, que espera retomar no início de 2000 as vendas para o mercado norte-americano, divulgou hoje o balanço parcial do ano. O lucro líquido de janeiro a setembro foi de R$ 53,1 milhões, resultado que representa apenas 15% do obtido no mesmo período do ano passado: R$ 352,6 milhões.
O fraco desempenho foi debitado integralmente à desvalorização cambial de 59% neste período, ante os 6% de 98. "É uma queda apenas contábil, já que operacionalmente os resultados foram muito bons", afirmou o diretor executivo do Centro Corporativo da empresa, João Luis Tenreiro Barroso. No terceiro trimestre do ano, apesar de ter arcado com um prejuízo de R$ 131,7 milhões, a CSN bateu recorde histórico de vendas, com 1,25 milhão de toneladas de aço. O volume mais próximo desse total fora obtido no segundo semestre de 1997: 1,17 milhão.
Nem mesmo as restrições impostas por dois de seus principais clientes no exterior, os Estados Unidos e a Argentina
aos laminados a quente produzidos no Brasil tiveram efeito tão prejudicial à empresa quanto a mudança no câmbio do início do ano. O resultado financeiro líquido (receitas financeiras menos despesas financeiras e variações cambiais e monetárias líquidas) ficou em R$ 241,2 milhões negativos e, até setembro, o lucro líquido por lote de mil ações não passou de R$ 0,74. No ano passado, neste mesmo período, o valor já chegava a R$ 4,92.
As vendas externas para os EUA caíram (a empresa não informou o quanto), assim como para a Argentina, mas a recuperação econômica dos países asiáticos permitiu um redirecionamento das exportações, especialmente para a Coréia, que recompôs a balança. A ásia, que em 1996 era destino da metade do produto exportado pela CSN, caiu para 5% depois da crise de 97 e este ano voltou a um patamar próximo a 50%.
O resultado foi um crescimento, em reais, de 38% na receita bruta de exportações, que chegaram a R$ 545. "Se por um lado o câmbio teve um impacto muito negativo no resultado contábil, em contrapartida foi responsável pela recuperação no fluxo de exportações", avaliou o superintendente de Relações com o Mercado, José Marcos Treiger.
Hoje, praticamente todo o caixa da empresa está protegido contra novas mudanças na política cambial, com investimentos em títulos cambiais ou instrumentos que permitam aplicações indiretas em dólar. A dívida bruta da empresa, de US$ 2,5 bilhões, ultrapassa muito a disponibilidade de caixa, de US$ 750 milhões, mas a CSN não pensa em fazer novas captações no exterior. "A dívida líquida é grande, mas está escalonada num longo prazo, em torno de três anos e sete meses, e temos caixa para cobrir os investimentos previstos", disse Barroso.
Multa - A direção da CSN reafirmou que está recorrendo da multa imposta pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), à empresa e às siderúrgicas Usiminas e Cosipa por formação de cartel. "Os aumentos que aconteceram foram tomados, pelo menos no caso da CSN, em aspectos especificamente técnicos", disse Barroso. "Não há fundamento nesta acusação." Ele disse, ainda, desconhecer fundamento na informação que circulou esta semana no mercado de que a Belgo-Mineira estaria fazendo uma proposta de compra do controle da CSN. "Desconheço o assunto, que, se houver, é uma questão dos acionistas", desconversou.


