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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 05 (AE) - O ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, defendeu hoje que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investigue a possibilidade de formação de cartel entre os produtores de álcool, o que poderia explicar o forte aumento no preço do produto ocorrido nas últimas semanas. A simultaneidade nos reajustes e os valores semelhantes levaram o governo a supor que "exista algo por trás", disse.
Tourinho não quis acusar diretamente os usineiros, mas considerou "estranho" o comportamento das associações de produtores que falam sobre a necessidade de reajustar os preços para compensar o fim do subsídio do governo ao álcool. O ministro argumentou que as associações não podem ditar o preço do produto no mercado.
O ministro afirmou, porém, que não fará o pedido de investigação ao Cade, já que a questão do álcool não está mais ligada à sua Pasta. "Não é atribuição minha", comentou. Representantes de associações como a Brasil álcool e a Bolsa Brasileira de álcool vêm afirmando que os preços estão deprimidos e ainda existe espaço para novos reajustes. Eles querem que o preço do combustível volte a representar 75% do valor cobrado pela gasolina.
O ministro explicou que, em um mercado livre, o preço é ditado pela lei da oferta e da procura. O mercado é livre para formar preços, mas os aumentos "passaram da conta", disse Tourinho.
Ele descartou a possibilidade de o preço da gasolina subir por conta dos reajustes do álcool e disse ser favorável a que o governo use seus estoques para forçar uma queda de preços. Tourinho lembrou que a Petrobras tem armazenados cerca de 2 bilhões de litros de álcool e parte poderia ser vendida para diminuir a pressão nos preços. O ministro visitou hoje a Usina de Angra II, no Estado do Rio.
Tourinho afirmou que o início da operação da usina é fundamental para assegurar o fornecimento de energia no Rio, pois a termelétrica da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Hidroelétrica de Rosal, no interior do Estado, não serão suficientes no caso de um aumento substancial do consumo. Quando começar a funcionar, em fevereiro, Angra II representará, segundo o ministro, um aumento de 16% na capacidade de produção de energia do Rio.
Tourinho disse que pretende encaminhar ainda este ano ao presidente Fernando Henrique Cardoso o projeto para terminar as obras da Usina de Angra III. Ele explicou que o projeto depende apenas da garantia de financiamento externo e interno para que seja realizado.
A estimativa é que sejam necessários R$ 3 bilhões para a conclusão das obras: R$ 1 bilhão obtidos por financiamento do banco alemão KFW, R$ 1,2 bilhão da iniciativa privada e o restante de recursos próprios da Eletronuclear. A iniciativa privada faria as obras e receberia energia produzida pela usina como pagamento.


