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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 04 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso está disposto a conversar com a guerrilha colombiana se isso for um pedido do presidente da Colômbia, Andrés Pastrana.
Por intermédio de seu porta-voz, Georges Lamazire, Fernando Henrique confirmou a declaração neste sentido, dada por ele em entrevista ao jornal colombiano El Tiempo, mas fez questão de acrescentar que não havia nenhum pedido do governo colombiano neste sentido.
"O presidente reiterou uma posição tradicional do Brasil: não quer interferir no processo, que reconhece ser um problema interno colombiano, mas caso o governo da Colômbia julgue útil a participação de países vizinhos, o Brasil está disposto, como sempre, a cooperar", relatou o porta-voz.
Os jornalistas indagaram então se isso incluía a conversa do presidente com representantes da guerrilha colombiana e Lamazire respondeu: "Se isso for especificamente solicitado pelo governo da Colômbia e não como uma coisa oferecida ou voluntariada pelo governo brasileiro."
Lamazire informou ainda que o presidente não expressará opinião sobre declarações atribuídas ao juiz espanhol Baltazar Garzón, de que estaria disposto a processar militares brasileiros envolvidos com a violação de direitos humanos durante a ditadura militar.
Segundo Lamazire, até agora não há nenhuma solicitação do juiz ao governo brasileiro neste sentido. "O presidente não vai opinar sobre hipóteses", disse o porta-voz. "O presidente não quer antecipar o raciocínio sobre algo que não aconteceu", insistiu.
O juiz espanhol conseguiu que o governo da Grã-Bretanha permitisse extradição do general Augusto Pinochet para ser julgado na Espanha e está querendo julgar militares argentinos por crimes contra a humanidade.
O porta-voz lembrou que o Brasil assinou em reunião com os outros três países do Mercosul declaração que, de modo geral, condenando o julgamento do general Pinochet pela Espanha.


