NEWPORT, EUA, 04 (AE-AP) - Dados do radar da Força Aérea dos EUA fizeram aumentar o mistério em torno da queda, domingo, do Boeing 767-300 da EgyptAir no Atlântico, perto da costa de Massachusetts, que matou as 217 pessoas a bordo.
Depois de analisar os novos dados, investigadores afirmaram que o avião, que decolara havia meia hora de Nova York para o Cairo, caiu repentinamente de 10 mil metros para 5.100, alcançando uma velocidade quase supersônica, mas em seguida recuperou quase metade da altura perdida, subindo para 7.300 metros, antes de mergulhar novamente para 3 mil metros. Nesse momento, segundo as informações preliminares, o jato partiu-se em pedaços.
"A Força Aérea informou que se vê múltiplos primários (alvos de radar) a 3 mil metros", afirmou John Clark, investigador da Junta nacional de Segurança nos Transportes (NTSB), indicando que o avião se despedaçou a essa altura, pouco antes de atingir a água.
Clark disse que ainda não dá para saber a causa da queda inicial, nem por que o Boeing recuperou altura - se por conta própria, ou por ação dos pilotos, ou por outro motivo. A NTSB ressaltou ainda que, apesar de uma das suspeitas recair sobre um dos dois reversos de propulsão do 767, não há nada que prove que ele teve algum papel na tragédia. Um desses equipamentos usados para desacelerar o avião no pouso havia sido desativado no jato da EgyptAir por causa de um vazamento no sistema hidráulico.
Clark negou-se a fazer especulações sobre possíveis causas. "Primeiro, precisamos recuperar as caixas-pretas", afirmou.
No entanto, o mau tempo continuou impedindo hoje os trabalhos de recuperação das caixas com os registros de voz e dados dos últimos 30 minutos de vôo. Por causa de ondas de até 6 metros de altura, os barcos de busca não puderam aproximar-se do local da tragédia - cerca de 100 quilômetros ao sul da ilha de Nantucket. O navio de resgate Grapple já aprontou seu veículo submarino de controle remoto para trabalho a grande profundidade, mas o mar só deve acalmar-se a ponto de permitir a passagem dessa embarcação no fim de semana. O veículo submarino deverá ser usado para recuperar as caixas-pretas, que estão a uma profundidade de 78 metros. O sinal eletrônico que elas emitem já foi detectado.
Entretanto, há temores de que o sistema de registro de dados das caixas tenha parado de funcionar quando o avião caiu para 5.100 metros. Nessa ocasião, o emissor automático de dados do avião para o radar deixou de funcionar. "Isso pode indicar que o sistema elétrico se deteve e, com ele, o gravador de dados do vôo", afirmou um ex- investigador da NTSB, Rudi Kapustin.

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