Bonn, 04 (AE-AP) - O ministro alemão do Meio Ambiente, Juergen Trittin, disse hoje (04) estar convencido de que o Protocolo de Kyoto - acordo internacional destinado a lutar contra o aquecimento climático - poderá entrar em vigor em 2002.
A declaração foi feita aos jornalistas durante a conferência das Naçõesa Unidas sobre mudanças climáticas, em Bonn. O objetivo é fixar as modalidades de aplicação do protocolo, objeto de desacordos particularmente entre Estados Unidos e a União Européia e entre países ricos e pobres.
O ministro se congratulou pelo fato de que a União Européia tenha se mostrado unida e vários países, entre os quais o Japão, tenham se manifestado a favor da entrada em vigor do acordo em 2002.
O chefe da delegação dos EUA, Frank Loyd, disse que houve progressos em assegurar maior envolvimento de países em desenvolvimento, como a China, e em assegurar que medidas para cortar emissões de gases são viáveis.
Grupos ambientais saudaram o compromisso. Mas o WWF (World Wide Fund for Nature) alertou que, além das declarações politicas dos ministros, alguns negociadores de segundo escalão estavam trabalhando para ampliar as brechas jurídicas do acordo. O Greenpeace exigiu que governos acabem com subsídios para a indústrias de combustíveis fósseis.
A maioria dos cientistas concorda que os ácidos que produzem o efeito estufa - de carvão queimado a escapamentos de carros - são culpados pelo aquecimento da superfície da Terra e dizem que 1998 foi o ano mais quente até agora.
O ministro alemão fez um balanço da Conferência de Bonn, que começou dia 25 de outubro e termina amanhã. "Não seria possível esperar que as grandes questões políticas fossem resolvidas aqui", disse, acentuando que a conferência estava destinada a aplanar o terreno no plano técnico e nesse domínio o resultado é positivo.
O Protocolo de Kioto estipula que os países desenvolvidos devem reduzir em 5%, até 2010, as emissões de gás carbônico e de outros cinco gases considerados responsáveis pelo aquecimento do planeta em relação às emissões de 1990. Os ministros não chegaram a um acordo sobre a proposta americana, que permitira às nações industrializadas "comprar" créditos de nações menos poluidoras, para ter o direito de continuar poluindo.
O Senado dos EUA recusa-se a ratificar o acordo, porque não impõe obrigações a países em desenvolvimento, acreditando que ficaria muito caro para os americanos. Delegados de 150 nações tentaram fechar o texto para a próxima reunião, daqui a um ano, na Holanda, sobre como implementar o Protocolo de Kioto.





