Teerã, 04 (AE-AP) - Cerca de 10 mil estudantes celebraram hoje (04) o 20º aniversário da tomada da Embaixada dos Estados Unidos, queimando bonecos do Tio Sam e endossando uma resolução que condena pedidos de moderados por diálogo com os EUA.
Mas a manifestação em frente ao prédio da embaixada americana foi apenas uma sombra de demonstrações promovidas em anos anteriores, quando centenas de milhares participaram na condenação aos Estados Unidos e Israel.
O baixo comparecimento reflete a diminuição do fervor revolucionário que levou estudantes a invadirem a embaixada em 4 de novembro de 1979 e manter 52 americanos como reféns por 444 dias. É também um claro sinal da luta pelo poder entre cléricos radicais e o presidente reformista Mohammad Khatami.
Na manifestação de hoje, partidários de Khatami evitaram assumir atitudes anti-EUA e cantavam em persa: "Na política e na diplomacia, vamos lidar com os Estados Unidos com racionalidade".
Os manifestantes queimaram centenas de bonecos do Tio Sam em meio a gritos de "Morte à América! Morte a Israel!" Integrantes radicais de um grupo de voluntários paramilitares, o Basij, escalaram o andaime de um prédio de quatro andares em frente à embaixada americana para queimar bandeiras dos EUA e de Israel.
"A América não está buscando relações com o Irã. Na verdade, ela quer que o Irã se renda e se torne dependente dela", afirmou à multidão Mohsen Rezaei, um ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica.
Outros oradores, assim como um comunicado lido no fim da manifestação, também criticaram recentes gestos do governo visando melhores relações com Washington.
O protesto terminou com a multidão endossando uma resolução, em meio a gritos de "Deus é Grande", dizendo: "Vamos sempre considerar a América como nosso inimigo".
A divisão sobre como marcar o aniversário reflete uma disputa entre radicais, que defendem o espírito ardente da revolução islâmica de 1979, e moderados que apóiam a política de Khatami de um "diálogo entre civilizações".
A tomada da embaixada levou os Estados Unidos a romperem relações com o Irã.
Em janeiro de 1998, Khatami pediu que fosse feita "uma rachadura no muro de desconfiança" e propôs o intercâmbio de acadêmicos e artistas. Vários intelectuais e equipes de esportes dos EUA visitaram desde então o Irã.
O prédio da embaixada abriga agora uma escola para guardas revolucionários.





