Nova York, 04 (AE- ANSA) - O enfrentamento ideológico entre os criacionistas e os evolucionistas produziu uma nova baixa - a de Stan Roth, professor de ciências em uma escola secundária do Kansas, que foi suspenso do colégio no qual trabalhava por ter sido acusado de só querer ensinar a seus alunos as teorias de Charles Darwin.
Tudo começou quando Anna Harvey, uma estudante de 15 anos da Free State High School de Lawrence, levantou a mão durante a aula de biologia, na qual era ensinada a teoria da evolução das espécies, e perguntou: "Quando começaremos a falar da Criação".
Roth, de 64 anos, respondeu à jovem que "essa posição não científica" não tinha lugar em sua classe.
Harvey foi correndo até as autoridades e, em vez do criacionismo, foi o professor Roth que ficou sem lugar.
"Ele se aproximou de mim com os olhos em chamas e me disse: Quando você vai deixar de acreditar nessa história que seus pais lhe ensinam?", relatou a estudante, o que deu início a um processo que levou à suspensão permanente do docente e que fez de Roth a primeira vítima da rebelião dos criacionistas para fazer Adão e Eva retornarem aos manuais escolares.
A rebelião veio sendo preparada há meses: no começo do ano, também em Kansas, a Secretaria de Eduação do Estado ordenou que fosse retirada dos livros adotados nas escolas públicas qualquer referência à evolução como motor da vida na terra.
Nos Estados Unidos o criacionismo também entrou na política - tendo à frente George W.Bush, os candidatos republicanos à Casa Branca fizeram da volta de Adão e Eva às salas de aula um cavalo de batalha para capturar o voto da direita religiosa.
O caso de Roth, que ocorreu há meses mas que ganhou hoje a primeira página do The Washington Post, foi considerado pelos evolucionistas como a gota dágua.
"É vergonhoso o que está acontecendo nesta cidade", disse o professor que, com estoicismo, está se adaptando à aposentadoria forçada.
Roth ensinava na escola de Lawrence desde 1959: "É uma lenda no estado - pais competiam para colocar seus filhos em suas classes", comentou Steve Mechels, um colega.
Mas o diretor da escola, Joseph Snyder, negou que a suspensão do professor estivesse vinculada à sua oposição ao criacionismo. "Foi colocado de lado por causa da forma como tratava os estudantes", foi sua alegação.

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