Buenos Aires, 04 (AE-DOW JONES) - José Luis Machinea, principal assessor econômico do presidente eleito da Argentina, Fernando de la Rúa, reiterou que a situação fiscal no país "é complicada". Falando a líderes empresariais e políticos em Mar del Plata, Machinea reiterou sua estimativa de que o déficit do orçamento vai se aproximar de 6 bilhões de pesos (mesmo valor em dólares) em 1999 e de 10 bilhões de pesos em 2000 se nada for feito. Ele também destacou a necessidade de revitalizar o Mercosul.
Machinea, apontado como possível ministro da Economia no governo De la Rúa, disse que não faria nenhum anúncio político em Mar de Plata e, de fato, seu discurso não incluiu nenhuma surpresa. De la Rúa deve falar mais tarde no mesmo evento. Perguntado sobre a opinião da Aliança sobre a dolarização, Machinea disse que é algo a ser considerado, mas que o governo De la Rúa não vai tentar implementá-la a menos que se torne necessário.
Ele disse que a Argentina tem três pilares a defender: as finanças públicas, a estabilidade monetária e a coesão fiscal. "Acho que o país enfrenta sérios problemas nos três fronts", afirmou. Isto, em parte, disse, porque a Argentina não tirou vantagem do crescimento significativa da receita de impostos no período de 1991 a 1994. "Não usou o período para economizar... os gastos públicos cresceram de forma exagerada em 1991-1994", cerca de 60%, afirmou. A dívida pública argentina cresceu para 41,7% do Produto Interno Bruto em 1999, de 28,5% em 1993, acrescentou.
Machinea disse que é absolutamente necessário reduzir o déficit fiscal se a Argentina quiser conseguir crescimento sustentado e gerar empregos. "A criação de empregos é nossa obsessão", disse. Machinea afirmou que o objetivo de reduzir o déficit fiscal deve ser um esforço conjunto entre o governo federal e as províncias, acrescentando que "aqueles que têm mais devem contribuir com mais".
Melhorar a qualidade dos gastos será chave na redução do déficit, acrescentou Machinea. Ele disse que é urgente uma iniciativa contra os evasores de impostos e que é necessário um sistema de arrecadação que evite distorções. Ele reconheceu que a Argentina não pode recorrer a instrumentos monetários como outros países para atacar seu problema fiscal.





