Rio de Janeiro, 04 (AE) - Na tentativa de contornar uma crise, imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL) decidiram realizar, daqui a duas semanas, uma reunião para discutir os estatutos do recém-criado Instituto Brasil.
A polêmica surgiu depois que alguns acadêmicos questionaram os estatutos e a diretoria registrados pelo presidente da ABL, Arnaldo Niskier. Representantes das outras cinco entidades que compõem o Instituto Brasil serão convocados para o encontro.
A sessão, uma das mais longas dos últimos tempos, durou duas horas e cinquenta minutos. E também contou com um quórum grande: dos 38 acadêmicos, 20 compareceram à reunião. Alguns, como Sábato Magaldi, João Scantimburgo e Miguel Reale vieram de outros estados para participar da assembléia.
Após discussões um tanto acaloradas, ficou decidido que a reunião seria suspensa e que não haveria votação e que a reunião com as outras entidades deveria ser agendada.
Intrigas palacianas ajudaram a trazer o problema à tona. O escritor Josué Montello disse que Niskier estava querendo se beneficiar com a criação do Instituto, uma vez que Niskier, atual presidente da ABL, registrou toda a direção da Academia como sendo a do Instituto.
Além disto, segundo Montello, o estatuto da nova entidade prevê a renovação do mandato do seu presidente por mais três anos.
O Instituto Brasil, cuja funcionaria em Brasília, seria uma entidade onde estariam representadas a Academia Nacional de Medicina, a Academia Brasileira de Ciências, o Instituto de Advogados do Brasil, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, além da ABL.
Niskier se defende e diz que a história não é bem assim. Mais: que tudo não passou de "futrica" de Montello, que estaria interessado em se eleger uma outra vez para a presidência da ABL.
A gestão de Niskier termina no início de dezembro quando, no dia 09, haverá a eleição para a presidência da casa. O professor Tarcísio Padilha, que atualmente ocupa o cargo de secretário-geral da entidade está se candidatando ao cargo.
Hoje, após o término da sessão, apenas o presidente da ABL ficou, de acordo com decisão da assembléia, responsável por falar sobre o assunto. Niskier fez questão de frisar que o Instituto Brasil não será uma sucursal da ABL em Brasília. Segundo ele, a decisão de criar o Instituto foi aprovada, por 12 votos, no dia 09 de setembro em plenário da Academia.
Alguns acadêmicos se queixam, no entanto, que no encontro de setembro nada ficou decidido sobre o estatuto e muito menos sobre a nomeação da diretoria. "Não fomos informados sobre a diretoria e o estatuto", comentou o escritor Marcos Almir Madeira. "O Instituto Brasil é válido, mas não aprovamos a forma como o processo está sendo feito".
Niskier explicou que para a criação e registro do Instituto Brasil era necessário apresentar um estatuto e uma diretoria. "Se o Instituto Brasil não fosse registrado, perderíamos o terreno para a sua construção, em Brasília, avaliado em US$ 10 milhões", disse Niskier. "E fiz uma diretoria provisória", ressaltou.
Niskier fez questão de ressaltar que não tem interesse pessoal algum na criação do Instituto e que no dia 16 de dezembro entregará o seu cargo de presidente da ABL.

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