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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Mauro Carvalho da Silva 
São Paulo, 04 (AE) - O advogado Antônio Carlos Gandara Martins, de 58 anos, ex-integrante do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), prometeu hoje "detonar" a escultura instalada na Alameda Casa Branca, nos Jardins, em homenagem aos 30 anos da morte de Carlos Marighella, líder guerrilheiro comunista que combateu o regime militar. "Ainda esta semana vou destruir tudo e nem preciso de ajuda de oficiais do Exército".
"Não faço ameaça anônima; pode anotar meu número na OAB
o meu telefone, o endereço do meu escritório, pois vou cumprir a promessa", acrescentou. "Vou destruir esse monumento e todos aqueles que construirem em homenagem aos subversivos de 1969, que ajudei a combater." Após afirmar que tem "horror à esquerda", o advogado disse que deveria ser erguido no local um monumento ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, do extinto DOPs. "Ele criou o Esquadrão da Morte que perseguia e eliminava os marginais e participou do combate aos terroristas".
Essa não foi a primeira a primeira manifestação contrária à homenagem póstuma a Marighella. Edgard Saleme, que se identificou como oficial da reserva do Exército, impediu anteontem a colocação da escultura na calçada em frente do número 815 da Alameda Casa Branca. "Não quero um monumento a um bandido em frente da minha casa", justificou Saleme. "Se for preciso, darei até tiros". Ato tranquilo - Apesar da polêmica, não houve nenhum ato de protesto durante a inauguração do monumento em homenagem póstuma a Marighella. A escultura, feita pelo arquiteto Marcelo Carvalho Ferraz, foi afixada hoje de manhã sobre os restos do tronco de uma árvore tipuana - cortada recentemente porque estava infestada por cupins e corria o risco de desabar sobre a alameda ou a entrada do edifício que há em frente.
A homenagem ocorreu às 11 horas, com a presença de vários intelectuais e de membros da família de Marighella. "Foi tudo muito tranquilo, não houve problema nenhum", disse Ferraz. A obra foi esculpida em granito e batizada com o nome Memorial Carlos Marighella. No centro, há a seguinte inscrição: "Aqui tombou Carlos Marighella, assassinado em 4 de novembro de 1969 pela ditadura militar". A escultura passou a integrar o patrimônio municipal, conforme o decreto 38.569 publicado hoje pelo prefeito Celso Pitta (PTN) no Diário Oficial do Município. A área ocupada pelo monumento também consta do decreto.
Indignação - Uma moradora da região, que se negou a fornecer o nome, ficou indignada com o fato de terem escolhido parte da calçada para colocar o monumento. A moradora disse que a Prefeitura deveria plantar uma árvore no local e não colocar uma "coisa que parece um túmulo". Segundo ela, que disse morar há anos na região, o crime teria ocorrido no lado oposto do qual foi colocado o monumento. (Colaborou Flávio Mello)


