PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Maurício Moraes 
São Paulo, 04 (AE) - O advogado do MorumbiShopping, Cid Vieira de Souza Filho, afirmou que não há responsabilidade do empreendimento no episódio, pois o que houve foi a ação de um tresloucado que podia ter feito isso em qualquer lugar da cidade. Para ele, todas "as cautelas" relacionadas à segurança que podiam ter sido adotadas foram feitas. "Nossos seguranças evitaram que o assassino fosse linchado", afirmou. De acordo com ele, após ser dominado, Mateus dos Santos Meira foi agredido pelas pessoas que estavam no cinema. "Nós o levamos para uma sala e chamamos a polícia e o resgate do Corpo de Bombeiros".
Documentos, bolsas e objetos abandonados pelos clientes na sala de cinema foram entregues pelo shopping à Polícia Civil. Souza Filho afirmou que o shopping não deve mudar nenhum de seus procedimentos por causa do que ocorreu. O superintendente do MorumbiShopping, Cláudio Sallum, acredita que os seguranças não podiam ter tomado nenhuma atitude para impedir o estudante de medicina Mateus Meira. "As salas de cinema têm isolamento acústico", salientou. "Externamente, não se podia ouvir o barulho dos tiros". Segundo Sallum, tudo indica que até as pessoas que estavam na platéia demoraram para perceber o que estava acontecendo. Pânico - Ele afirmou que, assim que a equipe de segurança viu que havia pessoas saindo da sala 5 em pânico, tomou todas as medidas necessárias para ajudar as vítimas. "Retiraram todos que estavam na sala, encaminharam os feridos para os hospitais e acionaram a delegacia". De acordo com Sallum, o shopping conta com 130 homens na segurança. No momento do incidente, cerca de 60 estariam trabalhando no local.
O superintendente destacou ainda a existência de um sistema de 47 câmeras, espalhadas por todos os andares. Algumas ficam escondidas. Ele assegurou que nunca houve um incidente do tipo no shopping, nem mesmo assaltos à mão armada. Por essa razão, crê não haver necessidade de adotarem-se medidas adicionais. Na opinião de Sallum, melhorias como a instalação de detectores de metais na entrada do local não seriam viáveis. "O fluxo de pessoas é muito grande", disse. "Em lugares como esse
é preciso haver meios de evasão e os detectores bloqueariam todas as saídas". Falta de orientação - Vários dos lojistas afirmaram que não existe uma orientação específica por parte da segurança para casos excepcionais, como assaltos à mão armada. "Não há nenhum tipo de procedimento combinado", afirmou o gerente Maurício Camargo, de 36 anos. Segundo Sallum, apenas lojas que trabalham com valores têm apoio especial combinado com a equipe de segurança.


