São Paulo, 04 (AE) - A história de "Clube da Luta", para quem ainda não a conhece, pode soar muito estranha. Edward Norton é um executivo angustiado, que sofre de insônia. Ele encontra algum alívio frequentando grupos de ajuda a pacientes terminais. Consegue chorar com os doentes, e, com isso, diminui sua angústia e dorme à noite, como um bebezinho. Esse recurso entra em parafuso quando ele conhece uma adepta da mesma "terapia", a dark Helena Carter.
Mas o filme se encaminha mesmo para o seu núcleo temático quando Norton conhece em um avião o excêntrico vendedor de sabonetes, interpretado por Brad Pitt. Juntos, eles vão fundar o tal Clube da Luta do título, no qual marmanjões se esmurram mutuamente até sangrar. O espectador verá que há algumas sutilezas na história, meio que chupadas do clássico de Louis Stevenson, "O Médico e o Monstro", e de uma certa vulgarização da psicanálise, que diz que sempre há uma parte selvagem e indomável no íntimo de cada pacato cidadão.
Tudo isso é perfumaria. O que interessa mesmo é a "idéia" central de que pessoas como o executivo Norton têm vidas tão vazias que precisam fazer algo radical para sentir o coração pulsar. Há um desdobramento sintomático na história. Os tais clubes começam a proliferar e seus adeptos transformam-se num exército informal. Querem "contestar a ordem", mas o fazem em moldes fascistas, ou seja, na base da violência descerebrada, com direito às clássicas camisas negras. Polêmica - O filme, dirigido por David Fincher (o mesmo cineasta do ótimo suspense Seven - Os Sete Pecados Capitais), já foi motivo de polêmica nos Estados Unidos. Lá, como cá, começa-se a debater a suposta influência de filmes sanguinários sobre a violência da vida real. Há quem defenda a tese da imitação e, portanto, que obras desse tipo devam sofrer algum tipo de controle. Há quem pense o contrário, ressaltando o valor catártico desse tipo de produto. A pancadaria poderia apaziguar os baixos instintos de quem está assistindo, por efeito de substituição - o que se vive no imaginário não se vive no real, em bom português.
Uma discussão literalmente interminável. Sempre haverá quem ache que vale tudo. E sempre haverá quem pense que um filme no fundo idiota e mau-caráter seja capaz de fazer alguém entrar num cinema com uma submetralhadora, atirando a esmo.

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